Argélia promete suspender estado de emergência após 19 anos

Governo tenta conter manifestações contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, inspiradas nos protestos de Tunísia e Egito

iG São Paulo |

Reuters
Manifestantes protestam contra governo na Argélia (12/01)

O ministro das Relações Exteriores da Argélia afirmou nesta segunda-feira que o governo suspenderá "nos próximos dias" o estado de emergência que vigora no país há 19 anos. O anúncio é uma tentativa de conter protestos contra o governo inspirados nas manifestações de Tunísia e Egito , que resultaram na renúncia dos líderes desse países.

"Nos próximos dias, falaremos sobre isso (o estado de emergência) como se fosse algo do passado", disse Medelci, em entrevista à rádio francesa Europe 1. "Isso significa que em Argel teremos o retorno da lei que permite completa liberdade de expressão."

No início de fevereiro, em meio à onda de protestos no mundo árabe, o próprio presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, havia prometido suspender o estado de emergência "em um futuro muito próximo", de acordo com relatos da mídia estatal. O estado de emergência, que vigora desde a guerra civil de 1992, proíbe qualquer tipo de protesto no país.

No sábado centenas foram às ruas da capital, Argel, para pedir a renúncia de Bouteflika. Grupos oposicionistas disseram que vão promover manifestações semanais até que haja uma mudança de governo.

Já no domingo, na cidade de Anaba, confrontos entre as forças policiais e 7 mil jovens desempregados deixaram vários feridos em frente à sede do governo provincial.

Medelci, porém,  descartou a possibilidade de que os protestos sejam como os que ocorreram na Tunísia e no Egito. Segundo o ministro, os protestos na Argélia foram organizados por "grupos minoritários com pouco apoio".

No entanto, ele indicou que o governo pode estar disposto a fazer concessões: "A decisão de mudar o governo depende do presidente, que avaliará a possibilidade, como já fez no passado", disse ele. "A Argélia não é a Tunísia ou o Egito", acrescentou.

Detenções

Dezenas de pessoas foram detidas durante as manifestações de sábado. Entre os detidos estão vários dirigentes da Coordenação Nacional pela Democracia e Mudança (CNCD), grupo que convocou os protestos, bem como ativistas dos direitos humanos, sindicalistas e jornalistas.

Mais de 20 mil integrantes da polícia de choque foram deslocados para a capital, Argel, e posicionaram veículos blindados e canhões d'água no centro da cidade, além de bloquear ruas e estradas de acesso para evitar a chegada de ônibus com mais manifestantes.

Argel já teve confrontos entre manifestantes e policiais em janeiro deste ano, em meio a protestos contra o desemprego, os preços dos alimentos e as más condições de moradia. Bouteflika, 73 anos, está na Presidência desde 1999 e é acusado de se manter no poder por meio de um regime repressivo.

Com Reuters

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