Argélia defende decisão de receber família de Kadafi

Rebeldes exigem que governo argelino entregue familiares do líder foragido e dá ultimato para que partidários se rendam até sábado

iG São Paulo |

O representante da Argélia na ONU defendeu a decisão de seu país de receber a mulher e três filhos do líder líbio foragido Muamar Kadafi. Um porta-voz dos rebeldes líbios disse que a decisão foi ''um ato de agressão contra o povo da Líbia'', exigiu que o governo argelino entregue os familiares de Kadafi e afirmou que, caso contrário, serão usados todos os meios legais para obrigá-los a regressar ao país.

Em entrevista à BBC, o representante argelino Mourad Benmehidi disse que existe na região uma ''regra sagrada de hospitalidade''. O governo argelino afirmou que a decisão se deu por razões humanitárias e que os familiares de Kadafi que a Argélia concordou em receber não se encontram em listas de procurados.

AP
Líbios protestam contra Kadafi na principal praça de Trípoli, na Líbia

Entre os familiares do líder líbio que conseguiram entrar na Argélia estão a esposa Safia, a filha Aisha, o filho mais velho, Mohammed, que teria escapado depois de se entregar às forças rebeldes em Trípoli, e outro filho, Hannibal.

A agência AFP afirmou que nesta terça-feira Aisha deu à luz uma menina, citando como fontes autoridades do governo argelino que não quiseram ser identificadas. Mãe e filha passam bem, de acordo com as autoridades.

A agência de notícias estatal argelina, APS, informou na segunda-feira que os familiares de Kadafi tinham cruzado a fronteira. No entanto, não deu informações sobre o paradeiro do líder, que continua foragido desde que os rebeldes tomaram a maior parte da capital líbia na semana passada.

Os primeiros rumores de que a família de Kadafi tinha saído da Líbia foram divulgados pelos rebeldes durante o final de semana, quando um comboio cruzou a fronteira. As autoridades argelinas, porém, negaram a informação.

Ultimato

A notícia sobre o paradeiro da família de Kadafi foi divulgada em um momento em que as forças rebeldes da Líbia ainda tentam derrotar o que restou das forças leais ao líder.

Nesta terça-feira, o Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes), deu um ultimo às forças de Kadafi : ou se rendem até sábado ou enfrentam uma luta armada.

Os rebeldes continuam os preparativos para um ataque contra a última área em poder das forças leais a Kadafi, a cidade de Sirte. Mas como muitos têm familiares vivendo no local, há uma tentativa de evitar derramamento de sangue. Os líderes do movimento rebelde fizeram uma proposta de um cessar-fogo de 48 horas, devido ao feriado muçulmano do Eid.

De acordo com o líder do CNT, Mustafa Absul Jalil, se não houver "indicações pacíficas" de que as forças de Kadafi estão se preparando para um rendição, os rebeldes "vão decidir a questão militarmente". "Não gostaríamos (de atacar Sirte), mas não podemos esperar mais", afirmou.

Os comandantes da Otan afirmaram nesta segunda-feira que a campanha aérea contra as forças leais a Kadafi deve continuar, pois a guerra na Líbia está longe do fim. Em uma declaração divulgada depois de uma reunião no Catar, os comandantes da aliança prometeram continuar com os bombardeios contra o que resta das forças do líder.

Com BBC

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