Arábia Saudita detém 22 manifestantes xiitas

Manifestantes protestaram por considerarem ser discriminados; no sábado, governo advertiu que usará a força contra manifestações

iG São Paulo |

Forças de segurança da Arábia Saudita detiveram pelo menos 22 xiitas por um protesto realizado na semana passada, disseram ativistas neste domingo. Os manifestantes protestaram por considerarem ser discriminados.

Xiitas sauditas têm realizado pequenos protestos nas últimas duas semanas no leste do país, região que detém boa parte dos campos de petróleo do maior exportador do mundo. "Na quinta-feira, foram presos 22, enquanto outros quatro na sexta", afirmou o defensor de direitos humanos Ibrahim al-Mugaiteeb, que lidera uma associação no país. Um outro ativista xiita, porém, confirmou apenas 22 prisões.

O Ministério do Interior do país não estava imediatamente disponível para comentar o assunto. Os protestos começaram na área da importante cidade de Qatif e na vizinha Awwamiya e se espalharam para Hofuf na sexta-feira.

Os manifestantes reivindicam principalmente a libertação de prisioneiros que, dizem eles, foram presos sem julgamento. O governo saudita, uma monarquia, não tolera manifestações públicas e nega as acusações.

Uso da força contra manifestações

A denúncia das prisões foi feita um dia depois de as autoridades afirmarem que a polícia está autorizada a reprimir os protestos para fazer a lei ser respeitada. O ministério advertiu que acionará as forças de segurança contra quem tentar alterar ou infringir o sistema, segundo um comunicado de seu porta-voz, general Mansur el Turki.

"As forças de segurança estão autorizadas legalmente a adotar as medidas requeridas contra todo aquele que tentar alterar ou infringir o sistema de qualquer maneira", disse El Turki na nota, divulgada pela agência estatal "SPA".

A advertência foi feita cinco dias antes da realização de um "Dia da Fúria", convocado por centenas que aderiram a uma campanha no Facebook. Os organizados querem eleições, liberdade para as mulheres e libertação de presos políticos.

Até a manhã de 23 de fevereiro, mais de 460 pessoas haviam aderido ao protesto convocado para 11 de março no reino, que tem uma monarquia absolutista. É impossível verificar, no entanto, quantas dessas pessoas estão na Arábia Saudita, e se o protesto de fato ocorrerá.

A ameaça do ministério é uma escalada das medidas tomadas para evitar manifestações como as que forçaram a queda dos presidentes do Egito e Tunísia e atualmente levam a Líbia para perto da guerra civil.

As rebeliões árabes que derrubaram os líderes da Tunísia e Egito foram iniciadas por jovens que se mobilizavam por redes sociais, mas ativistas na Arábia Saudita disseram que uma recente convocação pela internet para protestos em Riad não conseguiu levar ninguém às ruas.

Apesar da sua riqueza petrolífera, a Arábia Saudita enfrenta um índice desemprego que chegou a 10,5% em 2009. O reino oferece benefícios sociais a seus 18 milhões de cidadãos, mas estes são considerados menos generosos que os de outros países petrolíferos do golfo Pérsico.

Rei Abdullah

Em 23 de fevereiro, antes de retornar à Arábia Saudita após três meses de tratamento médico no exterior, o rei Abdullah anunciou uma série de benefícios para a população.

Os benefícios incluem um aumento de 15% nos salários de um milhão de sauditas que trabalham no setor público e um aumento de US$ 10,7 bilhões no fundo de financiamento da habitação para responder melhor às demandas de crédito imobiliário. Também foram anunciadas medidas para combater o desemprego e ajudar jovens a estudar no exterior.

Não foi anunciada nenhuma reforma política, como a realização de eleições municipais - uma exigência de grupos de oposição.

Abdullah, que estaria com cerca de 87 anos, viajou para os Estados Unidos em novembro para tratamento de uma hérnia de disco. Nas últimas quatro semanas ele estava se recuperando no Marrocos de uma cirurgia realizada em Nova York.

*Com Reuters, EFE e AFP

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