Ministro do Interior saudita pede para comunidade internacional aumentar sua pressão sobre o país governado por Bashar al-Assad

A Arábia Saudita anunciou neste domingo que seu país decidiu retirar seus monitores da Síria, alegando que Damasco não implementou o plano de paz acordado com a Liga Árabe para por fim ao derramamento de sangue que dura dez meses. Ele pediu aos países muçulmanos, à China, à Rússia, à Europa e aos Estados Unidos que coloquem mais pressão sobre o governo de Bashar al-Assad.

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Manifestantes contrários ao regime de Assad protestam em Zabadani, Síria
AP
Manifestantes contrários ao regime de Assad protestam em Zabadani, Síria

"Meu país vai retirar seus monitores, porque o governo sírio não executou nenhum dos elementos do plano da resolução árabe", declarou o príncipe Saud al-Faisal em no Cairo.

"Estamos pedindo à comunidade internacional que assuma essa responsabilidade e que inclua nossos irmãos de países islâmicos e nossos amigos da Rússia, China, Europa e Estados Unidos", acrescentou o ministro, pedindo pressão para forçar a Síria a aderir ao plano de paz árabe..

As declarações foram feitas pelo ministro durante um encontro da Liga Árabe no Cairo, no qual decidiu-se pela extensão por mais um mês de sua missão de observadores .

As autoridades, que falaram sob condição de anonimato, disseram que a ONU treinará os observadores. A medida era amplamente esperada depois que o mandato da problemática missão expirou na quinta-feira.

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Muitos no movimento de oposição da Síria reclamaram que os observadores fracassaram em coibir o banho de sangue no país, enquanto o regime reprime um levante popular de dez meses que, de acordo com a ONU, deixou mais de 5 mil mortos.

Em contraponto aos críticos do regime há aqueles que temem que enfraquecer o presidente Bashar al-Assad possa levar a Síria, com sua forte mistura de alianças religiosas e étnicas, a um conflito mais profundo, que poderia desestabilizar toda a região.

O chefe do esforço de monitoramento, o general sudanês Mohammed al-Dabi, foi à capital egípcia para apresentar seu relato aos ministros, que reuniram depois de um encontro do comitê sobre a Síria da Liga Árabe.

Centenas foram mortos durante o período em que missão de monitoramento, enviada para garantir que a Síria implementasse um plano árabe acordado no início de novembro, esteve no país.

Citando um comunicado do grupo opositor Comitês de Coordenação Local, a agência EFE afirmou neste domingo que o número de civis mortos desde 26 de dezembro seria de 976. Como o regime de Assad restringe o acesso da imprensa no país, a informação não pôde ser confirmada de forma independente.

Com Reuters, EFE e AP

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