Arábia Saudita ameaça usar forças de segurança contra protestos

Ministério do Interior diz que uso da força está autorizado contra aqueles que tentarem alterar ou infringir sistema

iG São Paulo |

As manifestações estão proibidas na Arábia Saudita e a polícia está autorizada a reprimir os protestos para fazer a lei ser respeitada, disseram as autoridades neste sábado. O ministério advertiu que acionará as forças de segurança contra quem tentar alterar ou infringir o sistema, segundo um comunicado de seu porta-voz, general Mansur el Turki.

"As forças de segurança estão autorizadas legalmente a adotar as medidas requeridas contra todo aquele que tentar alterar ou infringir o sistema de qualquer maneira", disse El Turki na nota, divulgada pela agência estatal "SPA".

A advertência foi feita seis dias antes da realização de um "Dia da Fúria", convocado por centenas que aderiram a uma campanha no Facebook. Os organizados querem eleições, liberdades para as mulheres e libertação de presos políticos.

Até a manhã de 23 de fevereiro, mais de 460 pessoas haviam aderido ao protesto convocado para 11 de março no reino, que é o maior exportador mundial de petróleo e tem uma monarquia absolutista. É impossível verificar, no entanto, quantas dessas pessoas estão na Arábia Saudita, e se o protesto de fato ocorrerá.

A ameaça do ministério é uma escalada das medidas tomadas para evitar manifestações como as que forçaram a queda dos presidentes do Egito e Tunísia e atualmente levam a Líbia para perto da guerra civil.

As rebeliões árabes que derrubaram os líderes da Tunísia e Egito foram iniciadas por jovens que se mobilizavam por redes sociais, mas ativistas na Arábia Saudita disseram que uma recente convocação pela internet para protestos em Riad não conseguiu levar ninguém às ruas.

No mês passado, uma manifestação em Jidá, depois de uma inundação na segunda maior cidade saudita, foi rapidamente dispersada.

No Facebook, os ativista reivindicam "que o governante e os membros do Conselho Shura (consultivo) sejam eleitos pelo povo", que haja um Judiciário independente, liberdade de expressão e reunião e que sejam libertados os presos políticos.

Eles pedem também um salário mínimo de 10 mil rials (US$ 2.700), mais oportunidades de emprego, criação de um órgão de combate à corrupção e revogação de "impostos e taxas injustificados". Há ainda pedidos de reconstrução das Forças Armadas, reforma do clero conservador sunita e "abolição de todas as restrições ilegais sobre as mulheres".

Apesar da sua riqueza petrolífera, a Arábia Saudita enfrenta um índice desemprego que chegou a 10,5% em 2009. O reino oferece benefícios sociais a seus 18 milhões de cidadãos, mas estes são considerados menos generosos que os de outros países petrolíferos do golfo Pérsico.

Rei Abdullah

Em 23 de fevereiro, antes de retornar à Arábia Saudita após três meses de tratamento médico no exterior, o rei Abdullah anunciou uma série de benefícios para a população.

Os benefícios incluem um aumento de 15% nos salários de um milhão de sauditas que trabalham no setor público e um aumento de US$ 10,7 bilhões no fundo de financiamento da habitação para responder melhor às demandas de crédito imobiliário. Também foram anunciadas medidas para combater o desemprego e ajudar jovens a estudar no exterior.

Não foi anunciada nenhuma reforma política, como a realização de eleições municipais - uma exigência de grupos de oposição.

Abdullah, que estaria com cerca de 87 anos, viajou para os Estados Unidos em novembro para tratamento de uma hérnia de disco. Nas últimas quatro semanas ele estava se recuperando no Marrocos de uma cirurgia realizada em Nova York.

*Com Reuters, EFE e AFP

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