Após novo ultimato, Síria diz aceitar missão da Liga Árabe

Governo de Assad diz ter 'respondido positivamente' ao grupo, mas condições devem dificultar assinatura de acordo

iG São Paulo |

AP
Manifestantes protestam contra Assaf em Marat al Numan, na Síria (02/12)
A Síria aceitou receber uma missão observadora da Liga Árabe, anunciou nesta segunda-feira o Ministério das Relações Exteriores. A decisão é uma resposta a um novo ultimato da Liga, que tinha ameaçado o governo sírio com novas sanções caso não aceitasse o envio de observadores.

No entanto, a assinatura do acordo de paz proposto pela Liga Árabe parece improvável, já que a Síria impôs como condição que todas as medidas tomadas contra o país - que incluem sanções econômicas e sua suspensão do grupo - sejam anuladas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jihad Makdissi, afirmou que o governo “respondeu positivamente” à exigência da Liga Árabe e mandou uma carta ao chefe da organização, Nabil Elaraby, na noite de domingo, dia em que vencia o novo ultimato dado à Síria.

"Estamos esperando a resposta da Liga Árabe e que todas as decisões tomadas durante a ausência da Síria sejam anuladas", afirmou, acrescentando que as alterações propostas pelo chanceler sírio, Walid al-Moallem são "pequenas e não alteram a essência do plano de paz".

A Liga Árabe ainda não comentou o anúncio da Síria. Quando o governo sírio impôs condições ao acordo após um primeiro ultimato, em 25 de novembro, o grupo impôs sanções contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Depois de uma reunião ministerial da Liga Árabe no sábado, realizada no Cairo, ministros árabes confirmaram as sanções econômicas contra Damasco aprovadas na semana passada.

Elas incluem o corte nas transações com o Banco Central da Síria, congelamento de bens de 19 autoridades e a ajuda a Assad, além de impedir que ele viaje a outros países árabes.

Nesta segunda-feira, a TV estatal síria mostrou imagens de um treinamento militar que aconteceu no fim de semana e incluiu testes de mísseis e operações de terra “similares a de uma batalha real”.

As manobras tinham o objetivo de “testas a capacidade e a prontidão de sistemas de mísseis para responder a uma possível agressão”, segundo a TV estatal, que acrescentou: “os militares estão prontos para defender a nação e deter qualquer pessoa que ousar ameaçar a segurança”.

Os exercícios pareceram ser uma demonstração de força tanto aos manifestantes contrários ao regime, que começaram uma onda de protestos em março, quanto à comunidade internacional que pressiona a Síria para pôr fim à repressão que, segundo a ONU, deixou mais de 4 mil mortos .

Na semana passada, o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a repressão do governo de Assad e anunciou que enviará um investigador ao país.

Com AP e EFE

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