Após morte de 2 xiitas, oposição boicota Parlamento no Bahrein

Polícia entra em confronto com pessoas que acompanhavam funeral de jovem, e confusão deixa mais um morto no país

iG São Paulo |

AFP
Em Manama, no Bahrein, Xiitas carregam caixão de jovem morto em protestos de segunda-feira
A polícia do Bahrein entrou em confronto nesta terça-feira com pessoas que acompanhavam o funeral de um manifestante xiita assassinado durante protestos na véspera . Uma pessoa morreu na confusão, disseram testemunhas e policiais nesta terça-feira.

Horas depois, o bloco parlamentar xiita de oposição Wefaq anunciou que estava suspendendo sua participação no Parlamento, após os dois xiitas terem sido mortos. "Este é o primeiro passo. Queremos ver diálogo", disse Ibrahim Mattar, deputado do Wefaq. "Nos próximos dias, vamos renunciar ou continuar", acrescentou.

Testemunhas disseram que o confronto desta terça-feira ocorreu quando cerca de 2 mil pessoas levavam o corpo de Ali Mushaima, 22 anos, pelas ruelas de aldeias xiitas no entorno de Manama, a capital do Bahrein. O cortejo havia saído do hospital onde Mushaima morreu e se dirigia à casa dele, onde o corpo seria lavado antes do enterro.

O deputado Mattar disse que a polícia tentou dispersar a procissão fúnebre usando gás lacrimogêneo, mas que os participantes se reagruparam e retomaram o cortejo. A polícia diz que os participantes do funeral atacaram quatro veículos oficiais no local. Fadhel Salman Matrook foi ferido no incidente e mais tarde morreu no hospital. O rei do Bahrein, xeque Hamad ben Issa Al Khalifa, ofereceu condolências às família das vítimas e prometeu medidas judiciais se o inquérito apontar que o uso da força foi injustificado.

Depois do incidente, o funeral se transformou em protesto contra o governo, com gritos inspirados nas recentes manifestações que derrubaram os governos do Egito e Tunísia. "Exigimos a queda do regime", dizia a multidão.

O Bahrein, pequeno país insular no golfo pérsico, tem população de maioria xiita, mas é governado por uma monarquia sunita. Analistas dizem que os protestos no país, organizados pela internet, podem estimular uma rebelião da marginalizada minoria xiita na Arábia Saudita.

O governo do Bahrein, aparentemente tentando se antecipar à fúria xiita, havia oferecido benefícios financeiros à população antes da manifestação denominada "Dia de Fúria", convocada para a segunda-feira, e que ocorreu principalmente nas aldeias xiitas em torno de Manama.

O governo prometeu mil dinares (US$ 2.650) para cada família local, além de investimentos adicionais de US$ 417 milhões em investimentos sociais, como subsídios alimentares, num sinal de que as autoridades desistirão de fazer cortes nos gastos públicos, como se previa.

Ao contrário de outros países da região, o Bahrein não pertence à Opep (grupo de exportadores de petróleo) e não tem muito dinheiro sobrando para resolver problemas sociais.

Com Reuters

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