Após dissolução do Parlamento, manifestantes deixam praça Tahrir

Militares tentam forçar egípcios a voltar ao trabalho após quase três semanas de protestos e paralisações

BBC Brasil |

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Milhares de manifestantes deixaram a praça Tahrir, no centro do Cairo, após a junta militar que assumiu o poder no Egito na sexta-feira anunciar a dissolução do Parlamento e a suspensão da Constituição, no domingo.

Em um comunicado transmitido pela TV, o Comando Militar que assumiu o poder no país anunciou que ficará no poder por seis meses ou até a realização de eleições. O anúncio foi celebrado por muitos manifestantes que permaneciam acampados na praça Tahrir e que viram nisso um rompimento claro com o antigo regime.

No pronunciamento, o Comando Militar declarou ainda que irá formar um comitê para elaborar uma nova Constituição, que será depois submetida a um referendo popular. O presidente Hosni Mubarak, que estava no poder desde 1981, renunciou na sexta-feira após 18 dias de protestos populares.

Os militares declararam feriado bancário nesta segunda-feira em uma tentativa de organizar o retorno do país à normalidade após quase três semanas de protestos e paralisações.

Segundo a agência de notícias Reuters, o comando militar deve proibir reuniões de sindicatos e organizações profissionais, proibindo na prática as greves, para forçar os egípcios a voltar ao trabalho.

Muitos trabalhadores estariam se sentindo encorajados pelos protestos a se organizar e protestar pela derrubada de chefes, a quem responsabilizam pelas grandes desigualdades de renda dentro das empresas.

Transição

O correspondente da BBC no Cairo Wyre Davies disse que a praça Tahrir, principal ponto de concentração dos manifestantes anti-Mubarak no Cairo, estava praticamente vazia na manhã desta segunda-feira, com apenas alguns poucos manifestantes mais radicais ainda no local.

A Constituição egípcia, suspensa no domingo, proibia muitos grupos e partidos de participar em eleições, deixando o Egito na prática com um Parlamento dominado pelos apoiadores do Partido Nacional Democrata (PND), de Mubarak. Durante a transição, o gabinete de ministros indicado por Mubarak no mês passado, após o início dos protestos, seguirá governando, mas terá que submeter as decisões ao conselho militar para aprovação.

O opositor Ayman Nour, que concorreu contra Mubarak nas eleições presidenciais de 2005, descreveu as medidas anunciadas pelos militares como "uma vitória da revolução". O primeiro-ministro Ahmed Shafiq disse que sua principal prioridade é restaurar a segurança no país.

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