Após declaração de Washington, Síria acusa EUA de apoiar rebeldes

Fonte do governo sírio acredita que declaração do Departamento de Estado americano revela "flagrante ingerência nos assuntos internos"

EFE |

O Governo sírio acusou os Estados Unidos de apoiar e financiar o que classificou como "grupos terroristas" que atuam no país. A declaração foi dada, neste sábado, após Washington desaconselhar os rebeldes sírios de se renderem em troca da anistia prometida por Damasco. As informações são de uma fonte anônima do Ministério das Relações Exteriores sírio.

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Segundo o representante do ministério, os EUA "revelaram novamente sua flagrante ingerência nos assuntos internos da Síria". A fonte cita ainda como prova dessa suposta ingerência as declarações realizadas nesta sexta-feira (4) pela porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland. 

"Não recomendaria a ninguém que se entregasse às autoridades do regime neste momento", foram as palavras de Nuland. Para Damasco, essas "declarações irresponsáveis" só têm como objetivo "incitar à revolta e apoiar os atos de assassinato e terrorismo cometidos por grupos armados contra cidadãos sírios", segundo a fonte oficial.

Da mesma forma, o regime de Bashar al Assad reivindicou à comunidade internacional que enfrente as políticas que "contradizem a legislação internacional e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU relativas ao combate contra o terrorismo e seu financiamento". O Ministério do Interior sírio ofereceu nesta sexta-feira uma anistia imediata aos opositores ao regime que pegaram em armas mas não tenham cometido crimes violentos.

Ataques

Pelo menos três civis morreram hoje após disparos das forças de segurança sírias em Homs (centro) e quatro milicianos leais ao regime perderam a vida em um confronto armado com militares desertores no norte do país, informou a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Segundo o grupo opositor, as três primeiras vítimas foram encontradas no bairro de Baba Amro de Homs, onde também foram ouvidas fortes explosões e disparos de artilharia.

No bairro de Karam al-Zaitun, na mesma cidade, também há indícios de confronto armado. O órgão de direitos humenos assinalou que quatro combatentes do regime sírio morreram em enfrentamentos com homens armados, supostamente desertores do Exército, em Seraqeb, na província de Idlib.

Essas novas mortes se somam às 23 já contabilizadas em combates armados, diz o levantamento feito pela organização. Os manifestantes sírios criticaram as promessas do regime de Damasco, que na quarta-feira passada aceitou o plano da Liga Árabe, pelo qual se comprometeu a cessar a violência, libertar os detidos durante os protestos e abrir suas fronteiras à vigilância de observadores árabes e da imprensa internacional.

Desde meados de março passado, a Síria é palco de revoltas populares contra o regime do presidente Bashar al Assad, que, segundo a apuração do Observatório, já causaram a morte de 2.746 civis e 904 militares.

*com EFE

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