Contingente massivo em Manama previne que população marque um ano da revolta xiita com marcha convocada por oposição

Um massivo contingente policial posicionado nas ruas da capital do Bahrein, Manama, nesta terça-feira, evitava que a população do país marcasse o primeiro aniversário desde o início dos protestos pró-democracia , liderados pelos xiitas.

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Tropa de choque dispersa manifestantes com gás lacrimogêneo em uma estrada na capital do Bahrein, Manama (13/2/2012)
AP
Tropa de choque dispersa manifestantes com gás lacrimogêneo em uma estrada na capital do Bahrein, Manama (13/2/2012)

Ativistas da oposição fizeram um chamado aos manifestantes para que realizassem uma marcha até o local do agora demolido monumento da praça Pérola, onde se concentraram os movimentos revoltosos no ano passado.

Segundo a BBC, a região permanece tranquila, porém em vilas distantes houve diversos confrontos entre a polícia e manifestantes. Os agentes de segurança dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo, enquanto jovens jogavam pedras.

Grande parte dos manifestantes são xiitas, maioria no reino, que há muito tempo reclamam de discriminação por parte da família real sunita, a Al Khalifa, e exigem reformas democráticas.

De acordo com a rede britânica, em Manama não há sinais que os protestos convocados pela oposição vão de fato acontecer na praça Pérola. Ativistas pediram à população que fossem à área às 6h30 no horário local (1h30 em Brasília).

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Há uma presença massiva do Exército e da polícia na cidade, e as estradas que levam aos vilarejos xiitas nas redondezas foram fechadas, informou a BBC. No entanto, um número de manifestantes tentam marchar para a capital das vilas de Sanabis, al-Daih e Jidhafs, que ficam a poucos quilômetros do local.

Na noite de segunda-feira, a tropa de choque dispersou manifestações em várias localidades, incluindo Manama, Sitra e Sanabis, usando gás lacrimogêneo. Alguns manifestandes jogaram pedras e coquetéis Molotov. Ninguém ficou ferido.

Em comunicado, o governo do Bahrein disse que a Al Wefaq, principal grupo xiita da oposição que liderou os protestos durante a revolta do ano passado, foi responsável por tornar aquela que seria a manifestação pacífica em um distúrbio violento.

A manifestação de segunda-feira foi sancionada pelo governo e organizada pela Al Wefaq. Mas autoridades disseram que muitos manifestantes saíram da rota autorizada pelo Estado para a marcha em Manama, provocando os confrontos depois que a polícia chegou.

Eles afirmam que a Al Wefaq foi resposável pela violência, porque falhou em "controlar a multidão e por isso comprometeu a segurança da população que utilizava a importante rodovia".

Procedimentos legais serão tomados contra os organizadores da marcha, acrescentou o governo no comuncado. A marcha de segunda-feira foi a maior tentativa em meses dos partidários da oposição de retomar a praça Pérola, desde o ano passado.

Ao menos 40 pessoas foram mortas durante meses de uma revolta política sem precedentes em Bahrein, o país do Golfo que pior foi atingido por distúrbios no contexto da Primavera Árabe . A vizinha Arábia Saudita e outros países do Golfo governados por sunitas enviaram tropas ao Bahrein em março para ajudar a conter os protestos depois que os governantes impuseram lei marcial.

A lei de emergência foi suspensa em junho, mas os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes continuaram a tomar as ruas quase que diariamente nas vilas xiitas ao redor da capital.

Os xiitas são 70% da população do Bahrein, de cerca de 525 mil habitantes, mas segundo eles, enfrentam décadas de discriminação e exclusão em postos de alto escalão na política.

Os sunitas que governam o Bahrein prometeram reformas, embora tenham se recusado a fazer as mudanças que os manifestantes e o principal grupo xiita, Al Wefaq, exigiam - como acabar com o poder da monarquia de selecionar o governo e os cargos chaves nas forças de segurança.

Com BBC e AP

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