Após captura, destino de filho de Kadafi é incerto

Procurador-geral do TPI irá à Líbia para decidir com autoridades do país onde Saif al-Islam, preso neste sábado, será julgado

iG São Paulo |

Reuters
Imagem mostra Saif al-Islam sendo levado para Zintan, norte da Líbia, após ser capturado
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luiz Moreno Ocampo, viajará para a Líbia nesta semana para discutir com o governo interino do país qual ser o destino de Saif al-Islam Kadafi, filho do líder deposto Muamar Kadafi .

Preso neste sábado , Kadafi é alvo de um mandado de prisão internacional emitido pelo TPI, mas o local onde será julgado ainda não foi definido.

Ocampo não descartou que o julgamento aconteça na Líbia, mas disse querer garantir que, em qualquer caso, o filho de Kadafi seja tratado de forma justa. “A boa notícia é que ele foi preso e vai à Justiça. Onde e como, ainda vamos discutir”, afirmou, em Haia.

O TPI acusa Saif de assassinatos e detenções arbitárias durante a onda de protestos contra o regime de seu pai, morto em outubro . Kadafi também era alvo de um mandado de prisão, assim como seu cunhado Abdullah al Senusi, que era chefe da inteligência militar do regime e ainda está foragido.

O ministro interino da Informação da Líbia, Mahmoud Shamman, disse que o governo interino não tomou uma decisão sobre se entregará Saif para o TPI. Sua opinião pessoal, porém, é a de que o filho de Kadafi deve ser julgado “em um tribunal líbio, pelo povo líbio e pela Justiça líbia’.

O primeiro-ministro interino líbio, Abdurrahim al-Keib, afirmou que Saif será tratado como prisioneiro de guerra, de acordo com as leis internacionais, “apesar de ser um dos símbolos do antigo regime”.

Saif al-Islam, 39 anos, foi preso perto da cidade de Obari, localizada no deserto líbio a cerca de 800 km de Trípoli, enquanto tentava fugir com dois seguranças para o Níger. Depois, foi levado para Zaidan, no norte do país. A previsão é que seja transferido para a capital.

Al-Ajmi al-Atiri, chefe da brigada de Zenten que deteve o fugitivo, disse em entrevista coletiva que o filho de Kadafi pediu para ser morto no momento em que foi capturado."Recebemos informações de um membro da segurança de Saif al-Islam. Ele nos disse que (o filho de Muamar Kadafi) planejava ir para o Níger", acrescentou."Fomos com duas brigadas, uma de Zenten e outra de Barguen (sul). Preparamos uma emboscada e esperamos sua chegada", relatou.

Segundo o governo líbio, Saif foi preso por combatentes das forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão políticos dos rebeldes que puseram fim aos 42 anos de Kadafi no poder.

A notícia da prisão do filho do ex-ditador foi comemorada nas ruas de Trípoli. “É um dia de vitória, de liberação. Finalmente o filho do tirano foi capturado”, afirmou o engenheiro Mohammed Ali, durante celebração na capital. “Agora estamos livres, estamos livres.”

Filhos de Kadafi

Nascido em 25 de junho de 1972 em Trípoli, Saif al-Islam estudou arquitetura e economia na capital líbia, em Viena e em Londres.

Fez doutorado pela prestigiosa London School of Economics, fundação para a qual doou o equivalente a 1,77 milhão de euros, e que o investiga por suposto plágio em sua tese final.

Em agosto, quando rebeldes líbios tomaram Trípoli , chegaram a anunciar a captura de Saif. Mas ele apareceu um dia depois do lado de fora de um hotel da capital.

Saif era o único dos oito filhos de Kadafi que ainda estava na Líbia. O ex-ditador também era pai de Saadi, Aisha, Muhammad, Saif al-Arab, Hannibal, Khamis e Mutassim.

Em setembro, Saadi e mais de 30 partidários de Kadafi fugiram da Líbia e abrigaram-se no Níger . O filho de Kadafi foi colocado sob prisão domiciliar junto com autoridades de alto escalão do antigo regime líbio que fugiram com ele. Os demais partidários estão sendo monitorados mas não estão presos, segundo o governo nigerino.

A mulher do líder deposto, assim como Aisha, Muhammad e Hannibal, fugiram para a Argélia em agosto.

Os outros três filhos foram mortos: Saif al-Arab em abril, durante um bombardeio da Otan ao complexo presidencial de seu pai em Trípoli; Khamis em agosto, durante confronto com rebeldes nos arredores da capital; e Mutassim em outubro, após a captura de seu pai, com quem foi enterrado .

Com AP, BBC e EFE

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