Partidários celebram fala de líder na TV na quinta-feira e tiros disparados durante comemoração deixam 11 mortos

Manifestantes exigem renúncia de Saleh em Sanaa
AFP
Manifestantes exigem renúncia de Saleh em Sanaa

Milhares de iemenitas organizaram nesta sexta-feira um oração pelo presidente Ali Abdullah Saleh um dia depois de seu discurso pela televisão, enquanto opositores fizeram manifestações na capital, Sanaa, e em Taez, sul do país.

Na Praça Saabin, no sul de Sanaa, um imã rezou para que "Deus cure o presidente e o faça sair vitorioso dessa provação", referindo-se à revolta popular iniciada em janeiro contra Saleh. "O povo gosta de Ali Abddulah Saleh", gritou a multidão durante uma passeata após a oração, exibindo cartazes do presidente.

Na quinta-feira, Saleh fez sua primeira aparição na TV desde o início de junho, quando o palácio presidencial onde ele estava foi alvo de um ataque a bomba. Partidários saíram às ruas para celebrar a reaparição do líder, em comemorações que deixaram 11 mortos em várias cidades.

De acordo com fontes médicas, durante as celebrações os manifestantes atiraram com armas de fogo, mas não está claro se todas as mortes foram acidentais. Segundo a agência AP, cinco iemenitas foram mortos a tiros em Sanaa, quatro em Ibb e dois em outras cidades que não foram identificadas.

Partidários de Saleh fazem manifestação de apoio ao governo em Sanaa
Reuters
Partidários de Saleh fazem manifestação de apoio ao governo em Sanaa

Em sua aparição na TV iemenita, que foi grava previamente, Saleh apareceu com o rosto queimado e disse que está aberto ao compartilhamento de poder se ele estiver dentro das leis constitucionais do país. "Acolhemos o compartilhamento dentro dos moldes da Constituição e nos moldes da lei", disse, acrescentando que apoia a participação de todas as forças políticas e o diálogo para sair da crise no Iêmen.

Saleh afirmou que foi submetido com sucesso a oito operações cirúrgicas e pediu por diálogo no Iêmen, em seu discurso transmitido pela TV oficial iemenita. O líder do Iêmen, no poder há quase 33 anos, enfrenta há meses uma rebelião popular, e resiste à pressão dos EUA e da Arábia Saudita para renunciar.

Alguns diplomatas disseram que existe uma pequena chance de Saleh retornar ao Iêmen, enfrentando um grave impasse político após meses de protestos pedindo sua saída do poder.

Previamente à divulgação do discurso, o vice-presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, que comanda interinamente o país enquanto Saleh se recupera em Riad, propôs um novo plano para encerrar o impasse político no país, disse uma fonte da oposição nesta quinta-feira. Segundo a proposta, Saleh continuaria no poder por mais tempo do que o previsto em propostas anteriores. Uma iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que previa a renúncia de Saleh 30 dias após sua assinatura fracassou três vezes depois que o presidente recuou no último minuto, deixando o país em um limbo político.

"A essência dessas ideias é que se inicie o período de transição com a formação de um governo nacional liderado pela oposição e que a data da eleição presidencial seja adiada de 60 dias para um prazo mais longo, sem transferir o poder completamente ao vice-presidente", disse o membro da oposição, que falou com a Reuters sob a condição de anonimato, após um encontro com Hadi.

O novo plano é visto como retrocesso pela oposição, que esperava que a presidência de Saleh tivesse chegado ao fim quando ele deixou o país para receber o tratamento médico. Mas, enquanto líderes veteranos no Egito e na Tunísia cederam às exigências populares de que deixassem o poder, Saleh vem demonstrando ser um sobrevivente político astuto.

Um segundo oposicionista graduado disse que a oposição não abrirá mão de suas reivindicações. "Estamos dispostos a receber a iniciativa positivamente, sob a condição de que o poder seja transferido antes para o vice-presidente". Hadi disse que isso seria difícil.

Com AFP, Reuters e EFE

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