Após 30 anos de Mubarak, Egito limita poder a 8 anos

Emendas constitucionais apresentadas neste sábado também tornam menos difícil apresentação de diferentes candidatos

iG São Paulo |

Após derrubar um presidente que permaneceu no poder por 30 anos, o Egito terá emendas constitucionais para que o novo eleito fique no poder por, no máximo, 8 anos. O País está dirigido pelo exército desde que Hosni Mubarak renunciou após semanas de protestos, no mais expressivo episódio da Revolta no Mundo Árabe até o momento.

AP
Milhares vão à praça Tahrir para celebrar a queda de Hosni Mubarak
As emendas propostas foram preparadas neste sábado por um comitê judiciário nomeado pelo conselho militar. Elas serão submetidas a um referendo antes das eleições parlamentares e presidenciais que devolverão o poder a um governo escolhido pelos civis. O pleito deve ocorrer em seis meses. Mubarak estava em seu quinto mandato consecutivo de seis anos, quando foi derrubado no dia 11 de fevereiro pelo povo egípcio.

A constituição anterior, suspendida pelo conselho militar ao qual Mubarak entregou o poder, tornava quase impossível para um candidato de oposição desafiar o governo do presidente no Partido Democrata Nacional. Isto porque era preciso ter o apoio de 250 membros de uma série de assembleias anteriores à eleição para poder lançar-se.

A conclusão das emendas é um marco no caminho do Egito para as eleições. Os egípcios esperam que elas representem o começo de uma era de democracia. Com as emendas propostas, as eleições seriam submetidas à supervisão judicial. Candidatos para a presidência ainda irão precisar do apoio, mas apenas de 30 parlamentares e 30 mil votantes elegíveis de 15 municipalidades. Como alternativa, será possível concorrer como representantes dos partidos políticos registrados que tenham pelo menos um membro eleito para o alto ou baixo parlamento.

As emendas propostas também irão deixar mais difícil que um presidente sustente o estado de emergência - em vigência há décadas - que ativistas da oposição desejavam suspender como parte de suas demandas por reformas mais amplas.

Protestos persistem

Pressionando os militares por essas demandas, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Tahrir, no Cairo. Eles exigiram completa revisão do governo, ainda comandado pelo primeiro ministro nomeado por Mubarak, dias antes de deixar o poder.

Nas primeiras horas da manhã, militares interferiram nos remanescentes dos protestos à força, usando bastões e provocadores, afirmaram os manifestantes, o que caracterizou uma das reações mais duras usadas pelos militares até agora.

O conselho militar pediu desculpas e disse que não houve ordens para atacar os manifestantes, afirmando que o incidente não foi intencional.

Com informações da Reuters

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