Após 19 anos, governo aprova fim do estado de emergência na Argélia

Medida, que entrará em vigor após publicação no diário oficial, é tomada em meio a protestos que pedem a renúncia do presidente

BBC Brasil |

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O gabinete de governo da Argélia aprovou nesta terça-feira um plano para suspender o estado de emergência que vigora no país há 19 anos, segundo a agência oficial de notícias argelina, APS. A agência informou que a medida entrará em vigor assim que for publicada no diário oficial do país, o que deve ocorrer de forma "iminente", sem dar mais detalhes.

AFP
Estudantes participam de protesto na capital da Argélia, Argel
O governo havia anunciado o plano anteriormente , mas somente agora o gabinete deu sua aprovação formal ao projeto. O estado de emergência vigora na Argélia desde 9 de fevereiro de 1992, ano em que o país entrou em guerra civil, e seu fim é uma das principais reivindicações dos manifestantes pró-democracia que realizam protestos nas ruas do país desde janeiro.

Alimentos

Além de pedir reformas democráticas, os ativistas protestavam contra o aumento nos preços dos alimentos. Na maioria das vezes, houve confronto entre manifestantes e forças de segurança. Neste mês, o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, havia afirmado que o estado de emergência seria suspenso em um "futuro muito próximo".

Ele havia permitido protestos em todo o país, exceto na capital, Argel. Mesmo assim, manifestantes desafiaram a determinação e realizaram passeatas na cidade em janeiro e fevereiro, que acabaram em violência.

Bouteflika, de 73 anos, está na presidência desde 1999 e é acusado por muitos de se manter no poder por meio de um regime repressivo, com base no estado de emergência. A corrupção e a baixa qualidade dos serviços públicos também aumentam a insatisfação dos argelinos.

Bahrein

Também nesta terça-feira, dezenas de milhares de pessoas marcharam na capital do Bahrein , Manama, em um dos maiores protestos já realizados desde o início das manifestações em favor de reformas democráticas no país.

Manifestantes portando bandeiras do Bahrein exigiram a queda do governo na Praça da Pérola, principal foco dos protestos que forçaram o cancelamento do Grande Prêmio de Fórmula 1 , que se realizaria no país em março.

Segundo o correspondente da BBC em Manama Mark Lobel, a manifestação de hoje foi a maior realizada no Bahrein na atual onda de protestos. O repórter afirma que um numeroso grupo de ativistas, em sua maioria xiitas, conclamaram o povo a governar o país.

O rei Hamad Bin Isa Al-Khalifah, que é sunita, determinou também nesta terça-feira a libertação de um número não especificado de prisioneiros. Dias atrás, já em meio a protestos, o monarca retirou as tropas militares das ruas da capital.

A soltura de dissidentes era a principal demanda dos manifestantes que ocupam a Praça da Pérola. De acordo com Lobel, a nova tática do rei será testada quando Hassan Meshaima, líder do maior movimento de oposição do Bahrein e acusado de tentar um golpe de Estado no ano passado, voltar ao país. O retorno pode ocorrer nas próximas horas.

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