Aparição de executivo do Google na TV leva milhares à Tahrir

Um dos líderes do movimento na web, Wael Ghoneim contou ter ficado por 12 dias vendado pelas forças de segurança do Egito

Raphael Gomide, enviado ao Cairo, Egito |

Centenas de milhares de jovens foram nesta terça-feira à praça Tahrir, no Cairo, após o depoimento na TV do chefe de mercado do Google para Oriente Médio e África, Wael Ghoneim , líder do movimento do pela internet que levou ao início dos protestos no Egito, em 25 de janeiro. Segundo correspondentes, a manifestação desta terça-feira, que ocorre apesar do anúncio do governo de que planeja uma pacífica transferência de poder , seria a maior desde o início da mobilização popular.

Wael contou ter ficado preso logo após o início das manifestações e ter sido mantido vendado durante todo os 12 dias de detenção. Responsável pelo movimento “Nós somos todos Khalid Said” – rapaz de 28 anos morto após ser espancado por policiais à paisana em junho –, ele afirmou não ter sido fisicamente torturado, mas foi acusado de traição pelas forças de segurança. Os Estados Unidos voltaram a pedir, nesta terça-feira, que o Egito pare de perseguir e prender manifestantes e jornalistas e liberte imediatamente outros que já foram detidos.

A aparição de Wael aconteceu no canal egípcio Dream 2 nesta terça-feira e tocou muitos. O rapaz se emocionou ao ver as i magens de manifestantes mortos durante os protestos pela saída do presidente do Egito , Hosni Mubarak. Depois da transmissão do depoimento, Wael se juntou aos manifestantes na praça Tahrir, onde discursou.

“Estava em dúvida se viria ou não, mas tive certeza de que devia estar aqui depois de assisti-lo na TV. Como eu, muitos estão aqui hoje depois do depoimento de Wael”, afirmou ao iG a estudante da Universidade Americana do Cairo Farida Abboud, 20 anos.

Estudante de direito, a egípcia Christine Kamil Henri, 24 anos, disse que dezenas de amigos seus foram à praça depois de vê-lo na TV. “Antes do depoimento, não me importava de esperar até setembro para Mubarak sair. Nós vemos que a mídia nacional está mentindo e quer que a população acredite em uma fraude”, afirmou.

Católica, Christine tinha ido apenas uma vez à praça e voltou nesta terça, contra a vontade de seu pai, alarmado e preocupado com a violência em meio aos protestos. Sua mãe, porém, chegaria à Tahrir no fim da tarde, juntamente com o pai, de 82 anos. “Meu avô nasceu em 1919, ano da primeira revolução. De acordo com minha mãe, ele também precisava fazer parte dessa revolução”, disse.

Para Farida El-Gueretly, 20 anos, Wael inspira os jovens porque é um símbolo de mudança da juventude, enquanto Mubarak representa “um governo corrupto e a brutalidade da polícia”.

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