Annan pede que Assad aplique plano para Síria 'agora'

Damasco afirmou na terça-feira que aceitava plano proposto por emissário da ONU, mas até agora não houve fim das hostilidades

iG São Paulo |

O presidente sírio, Bashar al-Assad, deve aplicar o plano de paz agora, indicou nesta sexta-feira o porta-voz do emissário conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan. "O plano Annan deve ser aplicado agora", declarou o porta-voz Ahmad Fawzi.

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"Esperamos que aplique o plano imediatamente. Não constatamos o fim das hostilidades no local. É nossa grande preocupação", disse, acrescentando que "é imperativo que cessem as mortes (...), cesse a violência" e "cabe às autoridades sírias executar o plano rapidamente".

O plano proposto por Annan preconiza o fim de qualquer forma de violência armada por todas as partes sob supervisão da ONU, o fornecimento de ajuda humanitária às regiões afetadas pelos combates e a libertação dos detidas de forma arbitrária.

Seu porta-voz também afirmou nesta sexta-feira que Annan deverá visitar o Irã para abordar a situação de violência na Síria, mas ainda não há uma data definida. "Nesse momento, discutimos datas convenientes para todos com as autoridades iranianas. (Annan) pretende ir a Teerã, mas isso não está confirmado ainda", declarou o representante do mediador.

O interesse de Annan em visitar o Irã para abordar a crise síria faz parte de sua estratégia de se reunir com as autoridades de países-chave na região e buscar apoio para sua missão de mediação. Como parte da missão que recebeu, o ex-secretário-geral da ONU visitou até agora Egito, Turquia, Emirados Árabes, China e Moscou. As próximas duas visitas que planeja são ao Irã e Arábia Saudita.

A principal mensagem que transmite nessas reuniões é da importância da "unidade da comunidade internacional por seu plano, que é o único existente" para pôr fim à violência política na Síria, disse Fawzi.

O porta-voz de Annan disse que é responsabilidade das autoridades sírias "implementar o plano de Annan (apresentado há três semanas) de maneira rápida, efetiva e integral", o que "só pode acontecer se houver unidade na comunidade internacional".

A imprensa oficial síria divulgou na quinta-feira o conteúdo de uma carta enviada pelo presidente sírio ao grupo de países emergentes Brics (China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul), na qual afirma que fará o possível para aplicar o plano de Annan, mas manifesta suas reservas em relação aos grupos rebeldes, que poderiam se "aproveitar" da situação.

Sobre isso, Fawzi disse que "está claro que não vimos o fim das hostilidades e isso preocupa a todos". Ele acrescentou que um próximo passo na missão mediadora de Annan será estabelecer um contato direto com as forças opositoras, "porque há duas partes nessa crise".

Para isso, Annan enviou seu adjunto, acompanhado de outros membros de sua equipe, a Istambul (Turquia), onde recentemente houve uma reunião da oposição e no domingo começará uma reunião de "amigos da Síria". Os enviados de Annan falarão com os representantes da oposição para transmitir aos comandantes das forças militares opositoras o pedido de que "deponham as armas e comecem um diálogo".

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No entanto, o porta-voz de Annan reconheceu mais uma vez que o governo de Assad não cumpriu com o requerimento principal que é retirar suas tropas e "deixar de utilizar armamento pesado em centros urbanos". Na próxima segunda-feira, Annan fará uma apresentação desde Genebra por videoconferência ao Conselho de Segurança da ONU sobre os avanços em sua missão.

AP
Imagem reproduzida de vídeo amador mostra fumaça saindo de prédios de Homs, Síria (29/3)
Repressão na Síria

O Exército sírio bombardeava nesta sexta-feira bairros da cidade de Homs, a terceira maior cidade da Síria, onde rebeldes ainda estão entrincheirados. Moradores de Homs ouviram os disparos da artilharia e o estampido de morteiros em áreas opositoras ao presidente sírio na terceira maior cidade da Síria, à medida que tropas realizavam incursões.

As forças sírias também intensificaram os ataques na Província de Idleb, incendiando casas e deixando vários feridos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Tropas de segurança e rebeldes lutaram durante a noite em Harasta e Arbin, cidades que ficam no norte da Síria. Rebeldes lançaram granadas impulsionadas por foguetes contra um prédio, matando um soldado, relataram ativistas.

A Organização das Nações Unidas disse que as forças de Assad mataram mais de 9 mil na repressão ao levante que já dura um ano . O governo alega que cerca de 3 mil soldados e membros das forças de segurança foram mortos por combatentes da oposição.

*Com EFE, AFP e Reuters

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