Analistas: Servidores públicos e elite formam apoio a Mubarak

Segundo especialistas, oposição egípcia é composta por grupos de classe média, estudantes, profissionais liberais e religiosos

BBC Brasil |

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Analistas entrevistados pela BBC Brasil veem o grupo de apoiadores do presidente egípcio, Hosni Mubarak, composto por integrantes do serviço público e da elite econômica do país, em oposição a grupos de classe média, estudantes, profissionais liberais e religiosos, que formam a maioria dos que são contrários ao governo.

Depois de vários dias silenciosos, militantes a favor do presidente egípcio fizeram protestos desde a noite da última terça-feira para dar seu apoio e exigir que a oposição interrompesse os protestos contra o governo. Segundo o analista político independente Mohamed Bakri, o grupo a favor do presidente está, com razão, preocupado. "Eles se beneficiam do regime. Muitos são empregados pelo regime. E quando o Mubarak discursou dizendo que não buscaria a reeleição, isso foi o alerta para agirem", disse.

Mudança gradual

Segundo Bakri, o setor público do Egito é muito grande, com milhares de empregados. Um último relatório sobre a força de trabalho do Centro Egípcio de Estudos Econômicos disse que, em 1998, o setor público já empregava quase 30% da população. "Os números devem ser os mesmos, já que não houve reformas dramáticas para mudar esse panorama", disse.

O Cairo concentra o maior número de prédios e instituições públicas. "No Cairo está a base mais forte de Mubarak, os trabalhadores que dependem do regime", explicou Bakri. Ele disse também que o setor público é corrupto e usou de sua relação com o regime para se beneficiar ainda mais na sociedade.

"Eles podem até aceitar uma mudança gradual, com Mubarak saindo. Mas dificilmente aceitariam uma mudança radical do regime, como uma nova elite dominante", diz Bakri.

O analista Hazem Bous, da Universidade Ain Shams, também diz que Mubarak possui um forte apoio da elite econômica do país. "Estamos falando de milionários e bilionários, que têm laços fortes com o regime de Mubarak."

Bous explicou que o próprio filho de Mubarak, Gamal, é um empresário bem sucedido que se beneficiou do governo. "Muitos dos ministros e parlamentares do partido de Mubarak são, também, homens de negócios."

Apoio

Na noite da última quarta-feira, militantes pró-Mubarak invadiram a praça Tahrir, no centro do Cairo, e entraram em confronto com os manifestantes anti-governo. Os dois lados atiraram pedras , pedaços de pau e cadeiras uns contra os outros, deixando cinco mortos e mais de 900 feridos. O Exército manteve-se passivo e fez pouco para impedir as cenas de batalha que se desdobravam na praça.

Testemunhas disseram para as emissoras locais que muitos militantes pró-Mubarak foram capturados e confessaram terem sido pagos para promover a violência na praça Tahrir.

Imagens das emissoras mostravam identidades de policiais que supostamente pertenciam aos militantes. "Eles são geralmente seguranças mantidos pelo governo, usam roupas civis e não pensam duas vezes antes de atacar a população. Essa parcela teme perder seu status se Mubarak renunciar", disse Bakri.

O advogado Hisham Z., de 38 anos, falou à BBC Brasil que dá seu apoio ao presidente Hosni Mubarak porque ele traz estabilidade ao Egito. "Me incomoda ver esses manifestantes protestando contra o presidente. O que eles querem? Instabilidade? Quem será o próximo líder?", afirmou Hisham.

Leila H., 28 anos, é servidora pública e também apoia Mubarak. Ela participou do protesto desta quinta-feira, no bairro Mohandeseen, no oeste do Cairo, a favor do presidente. "Eles querem acabar com nosso país. O presidente fez muito por nós e vou continuar apoiando", afirmou ela.

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