Alívio e tristeza marcam retorno de brasileiro da Líbia

Funcionário da Odebrecht em Trípoli, Marcos Quintana desembarcou em Belo Horizonte no fim de semana

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Arquivo pessoal
Marcos Quintana, 34 anos, não descarta voltar à Líbia
O alívio em rever a família misturou-se ao sentimento de tristeza por deixar amigos na Líbia. Assim resumiu o coordenador de almoxarifado da construtora Odebrecht, Marcos Quintana, 34 anos, que desembarcou em Belo Horizonte na noite de sábado, após passar por momentos de tensão no país governado pelo ditador Muamar Kadafi.

Na última quinta-feira, ele deixou a capital da Líbia, Trípoli, rumo a Malta, ilha no sul da Itália. No avião, cerca de 400 pessoas de diversas nacionalidades buscavam refúgio longe das manifestações contra Kadafi. De Malta, ele seguiu para Portugal e, depois, finalmente chegou à sua cidade natal, Belo Horizonte.

"Saímos de casa para um acampamento perto do aeroporto, Ficamos no aeroporto de 2h de quinta até o meio-dia. Estava muito frio, o pessoal estava tentando embarcar, foi um momento tenso. Houve conflito entre os imigrantes e a segurança do aeroporto. Os guardas começaram a bater nas pessoas e elas revidaram com pedras. Usamos uma espécie de uniforme para sermos identificados", relembrou a respeito do processo de retorno ao Brasil. "Houve pessoas que conseguiram entrar dentro do aeroporto, mas não conseguiam embarcar. As pessoas desmaiavam. Foi uma cena muito triste", completou.

Quintana contou que a saída do bairro em que estava, Janzour, em Trípoli, aconteceu na hora certa. Ele disse que, ao chega a Malta, ficou sabendo de cinco mortes em Janzur, localidade tranquila e habitada por muitos estrangeiros. "Queria sair o mais rápido possível. O ambiente era de muita insegurança e temi que, com o fechamento do espaço aéreo na terça-feira, seria difícil voltarmos. Saímos no tempo certo."

Questionado sobre como avalia o governo Kadafi, o funcionário da Odebrecht, que esteve por dois anos em Trípoli, disse que o ditador teve seu momento histórico, mas que age de forma egoísta, permitindo a morte de seu povo. Apesar da atual tensão no país, Quintana disse que voltaria a trabalhar na Líbia, pois o país oferecia um ambiente seguro, livres de roubos e assaltos, em comparação com o Brasil. "Não veria problemas em retornar, se um dia voltar a ter a paz que existia", afirmou.

A esposa de Quintana, Emmanuelle, 32 anos, funcionária pública, lembra que o marido estava tranquilo até os líbios começarem a se preocupar em estocar comida, na quinta-feira passada. "Foi um alívio grande quando o vi no aeroporto", conta Emmanuelle, com quem Quintana tem um filho de 12 anos.

Além de Quintana, outros dois parentes deixaram o país nos últimos dias. Victor Flecha, tio de Quintana que trabalhava como gerente de recursos humanos da Odebrecht, deixou Benghazi no fim de semana rumo à Grécia. Ele deve chegar a Belo Horizonte na terça-feira. Outro tio de Quintana que retornou da Líbia para o Brasil foi Wilson Flecha, irmão de Victor.

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