Alemanha expulsa quatro diplomatas sírios em caso de espionagem

Fontes indicaram que três homens e uma mulher espionavam e intimidavam opositores do regime de Assad em solo alemão

iG São Paulo |

O ministro de Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, anunciou nesta quinta-feira a expulsão do país de quatro diplomatas da Embaixada da Síria em Berlim. "Após a detenção de dois suspeitos de espionagem a favor da Síria, determinei que fossem expulsos quatro membros da Embaixada da Síria em Berlim", indicou uma breve nota divulgada pelo gabinete de Westerwelle.

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AP
Imagem divulgada pela oposição síria mostra casa atacada por forças de segurança em Baba Amr, na cidade de Homs (08/02)
Depois de apontar que "o embaixador da Síria foi informado sobre a medida", a nota destaca que o chefe da delegação foi convocado no dia 7 para ser informado que a Alemanha não toleraria atuação alguma contra a oposição síria em seu território.

Fontes ministeriais afirmaram que os quatro indivíduos expulsos são três homens e uma mulher que trabalham como funcionários da missão diplomática síria na capital alemã. As fontes destacaram que as atividades dos expulsos atentavam contra os princípios da diplomacia, indicando que não só espionavam opositores do regime de Bashar Al-Assad, como em alguns casos os intimidavam.

A expulsão ocorre dois dias depois da detenção na capital alemã de dois supostos agentes dos serviços secretos sírios que espionavam membros da oposição de seu país residentes na Alemanha. A Procuradoria Federal anunciou na terça-feira a prisão dos supostos agentes dos serviços secretos sírios Mahmoud el A., de 47 anos e com dupla nacionalidade libanesa e alemã, e Akram O., de 34 anos e nacionalidade síria.

Um porta-voz da Procuradoria Federal comunicou que os dois detidos, que foram apresentados posteriormente a um juiz de instrução em Berlim, eram seguidos há muito tempo pelas forças de segurança alemãs.

Além disso, destacou que cerca de 70 policiais também participaram de uma operação para revistar as casas de outros seis suspeitos de trabalhar para os serviços secretos da Síria na Alemanha.

Ofensiva na Síria

A expulsão na Alemanha ocorreu enquanto forças sírias entraram no sexto dia de sua ofensiva na cidade de Homs para combater opositores do regime e enquanto a comunidade internacional busca formas para uma nova abordagem diplomática para parar o banho de sangue no país após Rússia e Síria terem vetado uma resolução do Conselho de Segurança da ONU no sábado.

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Uma autoridade de alto escalão da Liga Árabe afirmou nesta quinta-feira que a organização estuda a possibilidade de reconhecer o Conselho Nacional Sírio, órgão que reúne integrantes da oposição, como representante legítimo da Síria.

Além disso, a Liga pode permitir que o Conselho abra escritórios diplomáticos nas capitais dos 22 países árabes que integram o grupo. A reunião entre os chanceleres deve acontecer no domingo no Cairo. Nesta quinta-feira, espera-se que a ONU examine uma proposta da Liga pedindo uma missão conjunta de monitoramente na Síria.

Homs, a terceira maior cidade da Síria, tornou-se o bastião de resistência e o alvo de retaliação no levante de quase 11 meses, enquanto várias áreas ficaram sob o controle de desertores do Exército cada vez mais ousados que querem depor o regime pela força.

No sábado, forças de segurança lançaram a mais recente ofensiva contra a cidade, invadindo áreas residenciais e tentando acabar com a resistência para tomar controle de toda a cidade, onde vivem cerca de 1 milhão de moradores. Acredita-se que centenas tenham morrido nos mais pesados bombardeios contra a cidade desde o início da mobilização popular, em março.

*Com EFE e AP

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