Acordo para transição no Iêmen fracassa, dizem diplomatas

Grupo esperava que Ali Saleh, presidente do Iêmen a quase 33 anos aceitasse acordo que lhe daria imunidade

iG São Paulo |

Diplomatas ocidentais e do Golfo não conseguiram convencer no domingo o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, a assinar um acordo que o tiraria do poder e o transformaria no terceiro líder árabe a ser deposto por protestos populares.

Saleh, um sobrevivente político que já desistiu duas vezes de assinar o acordo no último minuto, está sob intensa pressão diplomática para selar o acordo, mediado pelo Golfo, para acabar com três meses de protestos contra o seu governo.

"Fracassou", disse à Reuters um dos diplomatas. Outro, do Golfo, disse que o Conselho de Cooperação do Golfo, bloco de vizinhos do Iêmen exportadores de petróleo, poderia cancelar a iniciativa como resultado da falha.

O acordo daria imunidade a Saleh, assegurando uma saída digna após quase 33 anos no comando do Estado da Península Arábica, localizado em uma faixa de transporte por meio da qual passam todos os dias três milhões de barris de petróleo.

Centenas de partidários armados de Saleh se uniram contra o acordo no domingo, bloqueando diversas ruas e impedindo que um mediador do Golfo deixasse a embaixada dos Emirados Árabes Unidos para ir ao palácio presidencial, em Sanaa, para a assinatura do acordo, segundo uma testemunha.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita, ambos alvos de ataques frustrados da ala da Al Qaeda no Iêmen, estão ansiosos para acabar com o impasse no país, para evitar mais caos que poderia dar à rede militante mais espaço para prosperar.

Mais de 170 manifestantes foram mortos na repressão aos protestos, que são parte da onda de revoltas que tomou conta do Oriente Médio e Norte da África e que já derrubou os líderes da Tunísia e do Egito.

Ali Saleh fez um pronunciamento em que considerou "extraoficial" a assinatura no sábado por parte dos partidos da oposição do plano dos países do Golfo Pérsico para dar uma saída à crise no país. Saleh disse a assinatura foi feita a portas fechadas e pediu aos opositores que o façam diante das câmaras de televisão. "Vou assinar se a oposição vier ao palácio presidencial", disse Saleh, depois que o governista Congresso Geral do Povo (GPC) mudou de postura em relação ao plano.

O plano, apresentado pelo CCG em 21 de abril, estipulava que Saleh passe o poder ao vice-presidente no prazo de 30 dias após a assinatura do convênio e a convocação de eleições presidenciais e parlamentares dois meses depois. "Somos insistentes. Se eles vierem estamos com a alternativa da paz, da segurança e da estabilidade, e, se não escutarem e insistirem em entrar em uma guerra civil, assumirão a responsabilidade do sangue que será e que foi derramado", acrescentou.

AFP
Mulher participa de protesto neste domingo contra governo que dura quase 33 anos

*com Reuter, EFE e AFP

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