Objetivo da Organização islâmica é reafirmar sua autoridade sobre os grupos combatentes na Síria

Reuters

O comando geral da Al-Qaeda disse nesta segunda-feira que não tem ligações com o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, numa aparente tentativa de reafirmar a sua autoridade sobre os divididos grupos de combatentes islâmicos na guerra civil da Síria.

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Foto sem data divulgada em site em 14/1/2014 mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e Levante, vinculado à Al-Qaeda, em Raqqa, Síria
AP
Foto sem data divulgada em site em 14/1/2014 mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e Levante, vinculado à Al-Qaeda, em Raqqa, Síria

A ação da Al-Qaeda para se distanciar do cada vez mais independente Estado Islâmico fortalece a rival Frente Nusra como a representante oficial da rede na Síria.

A medida é vista como uma tentativa de concentrar os esforços contra o presidente da Síria, Bashar al-Assad , em vez de desperdiçar recursos em confrontos contra outros rebeldes, num momento em que as forças do governo estão cada vez mais ativas no campo de batalha. A decisão pode também fortalecer a Nusra na sua disputa contra o Estado Islâmico.

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante tem entrado em confrontos com outros insurgentes islâmicos e com grupos rebeldes laicos, geralmente por causa de disputas de autoridade e território.

A violência entre rebeldes na Síria já matou pelo menos 2.300 pessoas neste ano, de acordo com o Observatório Sírio para Direitos Humanos, um grupo que monitora o conflito.

O Estado Islâmico segue a ideologia da Al-Qaeda e até agora os dois eram vistos como oficialmente ligados.

Numa mensagem divulgada por sites extremistas nesta segunda-feira, o Comando Geral da Al-Qaeda afirmou que o Estado Islâmico "não é um braço do grupo Al Qaeda".

"(A Al Qaeda) não tem uma relação organizacional com ele e não é o grupo responsável pelas suas ações."

Veja imagens do conflito sírio no ano passado:

Um comandante da Nusra no norte da Síria disse à Reuters que o comunicado significava que a posição do grupo não era mais de neutralidade.

"Agora nós vamos para a guerra contra o Estado Islâmico e vamos acabar com ele", disse, sob condição de anonimato.

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante, no entanto, tem se mostrado forte. No domingo, seus combatentes libertaram mais de 400 pessoas de uma prisão no norte da Síria, que eram prisioneiras de um grupo islâmico rival, segundo o Observatório Sírio.

No leste, o Estado Islâmico teria tomado um campo de produção de gás da Frente Nusra e de outros rebeldes islâmicos.

No Iraque, o Exército e integrantes de tribos mataram 57 combatentes do Estado Islâmico na província de Anbar nesta segunda-feira, de acordo com o Ministério da Defesa, numa ação que pode indicar um possível ataque à cidade sunita de Falluja, sob controle de extremistas há um mês.

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