Síria e oposição trocam duras críticas no fim de conferência de Genebra

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Apesar disso, enviado especial da ONU diz ter visto mais 'posições comuns' e marca novo diálogo para fevereiro

O governo e a oposição sírios trocaram insultos depois de uma semana de uma conferência de paz em Genebra que terminou sem nenhum acordo firme. O chanceler sírio, Walid Muallem, disse que a oposição era imatura, enquanto o opositor Louay Safi afirmou que o regime não tem nenhum desejo de pôr fim ao banho de sangue.

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Reuters
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Apesar disso, o enviado da ONU Lakhdar Brahimi disse que viu mais "posições comuns" e programou novas negociações para 10 de fevereiro. A oposição concordou em participar, mas Muallem não quis se comprometer. "Representamos as preocupações e interesses de nossa população. Se considerarmos que (outra reunião) é sua demanda, então voltaremos", disse.

Ele voltou-se contra a oposição, dizendo que tentaram "implodir a conferência" ao insistir para que o governo entregue o poder. Safi afirmou que a oposição não ficaria negociando "de forma interminável" e conclamou o governo a "conversar seriamente sobre a transferência de poder".

O líder da oposição Ahmed Jarba disse que ele e seus colegas "se posicionaram contra o regime, um regime que apenas conhece o sangue e a morte".

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Os dois lados discutiram questões humanitárias e possíveis formas de acabar com a violência. Também fizeram alguns acordos sobre cessar-fogos locais para permitir acesso a trabalhadores humanitários.

A chefe humanitária da ONU, Valerie Amos, afirmou que os acordos permitiram que alguma ajuda chegasse a alguns poucos milhares de famílias. Mas ela disse que, até agora, um cessar-fogo acordado para a cidade sitiada de Homs não entrou em vigor e que nenhum auxílio chegou.

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Partes de Homs estão sob cerco do governo há mais de 18 meses. Alguns residentes disseram à BBC que estão comendo grama para sobreviver. Mais de 100 mil pessoas morreram na Síria desde que o levante contra o presidente Bashar al-Assad começou em março de 2011.

Brahimi disse: "O progresso é realmente muito lento, mas os lados se engajaram de formas aceitáveis. Esse é um começo muito modesto, mas é um começo sobre o qual podemos construir."

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Embora as diferenças entre os dois lados sejam amplas, eles se acostumaram em se sentar na mesma sala, contou. "Houve momentos em que um dos lados até mesmo reconheceu as preocupações e as dificuldades do outro", relatou.

A primeira rodada de negociações entre o governo e a opositora Coalizão Nacional começou na semana passada. Ambos os lados concordaram em usar um documento de 2012 conhecido como Comunicado de Genebra como base das negociações e aceitaram se encontrar na mesma sala.

Mas nenhum dos lados pôde concordar no enfoque, com a oposição insistindo que a transição política era o principal item e o governo esperando falar sobre terrorismo.

Os diplomatas descreveram a atmosfera entre os dois lados como extremamente tensa durante toda a conferência. E as negociações foram ainda mais prejudicadas pela falta de representação de alguns dos grupos rebeldes, incluindo a Frente al-Nusra, vinculada à Al-Qaeda.

Os diplomatas disseram que a principal prioridade em Genebra é manter as negociações andando na esperança de que as posições linha-duras possam ser modificadas com o tempo.

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