Em corte, Morsi diz ser presidente legítimo do Egito; atiradores matam general

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Morte de autoridade do Ministério do Interior reafirma crescimento da militância islâmica após golpe de julho

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Atiradores em uma moto mataram uma autoridade graduada do Ministério do Interior do Egito do lado de fora de casa no Cairo, nesta terça-feira, colocando pressão no governo apoiado pelos militares, que luta para conter uma insurgência islâmica.

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Reprodução de TV mostra presidente deposto Mohammed Morsi em cela de vidro em corte no Cairo, Egito

A morte do general Mohamed Saeed, chefe do escritório técnico do ministro do Interior, deu a entender que os militantes estão intensificando a campanha contra o Estado em um momento delicado da política egípcia.

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Abdel Fattah al-Sissi, chefe do Exército e recém-nomeado marechal de campo, que depôs o presidente islamita Mohammed Morsi em julho, deve anunciar a candidatura à presidência nos próximos dias, um gesto que revoltará a Irmandade Muçulmana, à qual Morsi pertence.

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Ao derrubar Morsi após protestos em massa contra seu governo, Sissi revelou um roteiro político cuja intenção é levar a eleições livres e legais e à estabilidade. Em vez disso, o Egito tem testemunhado o caos e uma militância islâmica cada vez mais inflamada.

A Irmandade acusa Sissi de dar um gole que minou as conquistas democráticas obtidas desde a revolta que depôs o autocrata Hosni Mubarak em 2011. Centenas de seus partidários foram mortos em conflitos com forças de segurança em todo o país em agosto. Na violência que se seguiu à queda de Morsi, centenas de membros das forças de segurança também foram mortos.

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Embora as autoridades tenham conseguido reduzir o tamanho das manifestações de rua, não há solução rápida para conter a violência militante, como sugere o local do assassinato de Saeed.

Uma bala estilhaçou a janela do carro em que ele estava em plena luz do dia - um lembrete da insurgência islâmica que agiu durante vários anos na década de 1990, até Mubarak massacrá-la.

O assassinato de Saeed aconteceu horas antes de Morsi comparecer ao tribunal em uma academia de polícia no Cairo para encarar acusações de sequestro e assassinato de policiais na fuga de uma prisão durante a revolta de 2011.

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Morsi, acusado ainda em três outros casos, foi impedido de gritar slogans contra Sissi e o governo apoiado pelos militares, como fez em sessões anteriores. Dessa vez, ele foi colocado em uma cela de vidro com um sistema de som controlado pelo tribunal, outro exemplo da repressão que atraiu a crítica de entidades de direitos humanos.

Em certo momento, Morsi disse ainda ser o presidente legítimo do Egito e pediu que o Judiciário não se envolva em uma vingança política.

Gritando com o juiz, disse: "Quem é você? Sabe quem eu sou?". "Sou o chefe do Tribunal Penal do Egito", respondeu o juiz. Em outras ocasiões, Morsi andou pela cela. Outros líderes da Irmandade, detidos em uma cela de vidro separada, acenaram para pessoas no recinto.

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Uma lista de 132 réus publicada pela mídia estatal mostrou que alguns são palestinos ainda foragidos. Autoridades egípcias acusam o grupo militante palestino Hamas de ajudar líderes da Irmandade a fugir da prisão.

Também afirmam que o Hamas providenciou fundos para grupos militantes egípcios sediados no Sinai que assumiram a autoria de ataques a bomba e tiroteios como o desta terça-feira.

Velhos inimigos

O Estado egípcio e os militantes são velhos inimigos. Islamitas no Exército opostos ao tratado de paz do presidente Anwar al-Sadat com Israel o mataram a tiros em 1981. O Egito é o berço de alguns dos militantes mais notórios do mundo, como o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri.

A violência política atingiu com força a economia do país, que tem importância estratégica por causa do tratado de paz com Israel e do controle do Canal de Suez.

Bilhões de dólares de Estados do Golfo Árabe que entraram em grande quantidade depois que Morsi foi deposto mantiveram a economia à tona mesmo diante dos protestos de rua, embora as receitas do turismo, grande fonte de moeda estrangeira, tenham caído para 41%, ou US$ 5,9 bilhões, em 2013.

Os ataques frequentes de islamitas, que recebem grande cobertura da imprensa, podem reduzir muito as chances de uma recuperação econômica. O Banco Central do Egito torrou pelo menos US$ 20 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões) - cerca de metade de suas reservas - apoiando a moeda local desde a revolução de 2011.

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