Egito promove chefe do Exército que liderou golpe contra presidente islamita

Por iG São Paulo |

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Promoção de Sissi para o mais alto posto da hierarquia militar pode preceder candidatura à presidência em abril

O chefe do Exército do Egito, general Abdel-Fattah el-Sissi, que liderou o golpe que depôs o presidente islamita Mohammed Morsi em julho, foi promovido nesta segunda-feira para marechal de campo, o posto mais alto da hierarquia militar, uma honra que poderia ser um prelúdio de seu afastamento para poder concorrer às eleições previstas para o final de abril.

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AP
Então general, Abdel-Fattah el-Sissi faz discurso televisionado no Cairo, Egito (foto de 2013)

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A promoção, anunciada pelo presidente interino do Egito, foi feita depois que multidões se manifestaram durante o fim de semana pedindo que Sissi concorra à presidência. Jornais privados próximo ao Exército publicaram manchetes nesta segunda-feira dizendo que ele anunciaria sua candidatura em breve.

Sissi, que tinha a patente de general antes da promoção desta segunda, ainda tem de anunciar suas intenções. Partidários o descrevem como salvador da nação depois que ele depôs Morsi em 3 de julho após dias de protestos em massa de milhões de egípcios que reivindicavam a renúncia do líder islamita. Desde então, as forças de segurança empreendem uma dura repressão contra a Irmandade Muçulmana e contra outros islamitas, prendendo milhares e matando centenas, mesmo enquanto o grupo continua sua mobilização pedindo o retorno de Morsi ao poder.

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O Conselho Supremo das Forças Armadas - o principal órgão dos generais do Exército, chefiado por Sissi — se reúne nesta segunda-feira, disse o porta-voz militar Ahmed Mohammed Ali à Associated Press. Ele não deu detalhes e disse que não poderia comentar se a promoção tem relação com a possibilidade de Sissi concorrer.

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A promoção dá a Sissi a mesma patente que seu antecessor, Mohammed Hussein Tantawi, que foi chefe do Exército e ministro da Defesa durante anos sob o ex-presidente Hosni Mubarak e que então assumiu o controle do país por quase 17 meses após o levante que depôs Mubarak, em 2011. Depois da posse Morsi, o primeiro presidente eleito livremente no Egito, em 2012, Tantawi foi removido e substituído por Sissi.

Pela lei, um membro atual do Exército não pode concorrer à presidência. Um dia antes, o presidente interino Adly Mansour anunciou que as eleições presidenciais serão realizadas antes das parlamentares, modificando a ordem estabelecida em um plano de transição elaborado pelo Exército depois da deposição de Morsi.

Agora espera-se que a eleição presidencial aconteça antes do fim de abril, enquanto a votação parlamentar aconteceria antes do fim de julho.

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As eleições presidenciais surgem contra um pano de fundo de uma insurgência militante islâmica que se espalhou desde a queda de Morsi, com um aumento nos ataques inicialmente na Península do Sinai mas depois cada vez mais na capital, Cairo, e em outras cidades, principalmente tendo como alvo a polícia e o Exército. O governo declarou a Irmandade uma organização terrorista, acusando-a de orquestrar a violência. O grupo rejeita a acusação, dizendo que ela tem o objetivo de justificar a repressão.

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