Conselho militar do Egito apoia candidatura presidencial de chefe do Exército

Por iG São Paulo |

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Endosso é dado após promoção de Sissi a principal posto da hierarquia militar, em mais um sinal de candidatura

O Conselho Supremo das Forças Armadas, que reúne os principais generais do Egito, endossou nesta segunda-feira uma candidatura presidencial do chefe do Exército Abdel-Fattah el-Sissi, disse a agência de notícias estatal, abrindo caminho para que o homem que depôs o presidente islamita Mohammed Morsi entre em eleições para substituí-lo como líder de uma nação violentamente dividida.

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Reprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7)

Líder do golpe de Estado: Egito promove chefe do Exército

A agência oficial disse que Sissi poderia anunciar oficialmente sua intenção de concorrer "em algumas horas".

Se Sissi concorrer nas eleições programadas para o fim de abril, ele provavelmente ganhará de lavada, dado sua popularidade entre um significante setor do público, a falta de alternativas, o apoio quase universal na mídia egípcia e a poderosa atmosfera de intimidação contra os críticos que é sentida no país.

A candidatura de Sissi, um oficial de infantaria treinado pelos EUA de 59 anos, seria uma nova reviravolta no tumulto do Egito, que começou com o levante de 2011 contra o autocrata destituído Hosni Mubarak — um veterano do Exército que governou por quase 30 anos — com o objetivo de trazer um governo civil, reforma e mais democracia. As eleições mais livres já realizadas no país levaram ao poder os islamitas, instalando Morsi, da Irmandade Muçulmana, como presidente, apenas para que posteriormente uma grande parte da população se virasse contra ele, acusando a Irmandade de tentar monopolizar o poder. Protestos em massa levaram Sissi a depor Morsi em 3 de julho.

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Pouco conhecido antes de que Morsi o nomeasse como ministro da Defesa e chefe do Exército, Sissi cresceu depois do golpe para se tornar a figura mais poderosa do Egito, reverenciado por seus partidários como salvador da nação.

No sábado, grandes multidões saíram às ruas para pedir que Sissi concorresse enquanto as forças de segurança reprimiam manifestantes islamitas que reivindicam o retorno de Mosi ao poder, deixando quase 50 mortos - um sinal das violentas divisões no Egito.

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Antes do endosso à candidatura presidencial, o presidente interino do Egito anunciou a promoção de Sissi para marechal de campo, o posto mais alto da hierarquia militar, uma honra que poderia ser um prelúdio de seu afastamento para poder concorrer às eleições previstas para o final de abril.

A promoção dá a Sissi a mesma patente que seu antecessor, Mohammed Hussein Tantawi, que foi chefe do Exército e ministro da Defesa durante anos sob Mubarak e que então assumiu o controle do país por quase 17 meses após o levante que depôs o líder autocrata, em 2011. Depois da posse Morsi, em 2012, Tantawi foi removido e substituído por Sissi.

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Pela lei, um membro atual do Exército não pode concorrer à presidência. Um dia antes, o presidente interino Adly Mansour anunciou que as eleições presidenciais serão realizadas antes das parlamentares, modificando a ordem estabelecida em um plano de transição elaborado pelo Exército depois da deposição de Morsi.

Agora espera-se que a eleição presidencial aconteça antes do fim de abril, enquanto a votação parlamentar aconteceria antes do fim de julho.

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As eleições presidenciais surgem contra um pano de fundo de uma insurgência militante islâmica que se espalhou desde a queda de Morsi, com um aumento nos ataques inicialmente na Península do Sinai mas depois cada vez mais na capital, Cairo, e em outras cidades, principalmente tendo como alvo a polícia e o Exército. O governo declarou a Irmandade uma organização terrorista, acusando-a de orquestrar a violência. O grupo rejeita a acusação, dizendo que ela tem o objetivo de justificar a repressão.

*Com AP

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