Rebeldes sírios lutam entre si e desestabilizam fronteira com Turquia

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Combatentes de grupo vinculado à Al-Qaeda disputam territórios com rebeldes que tentam derrubar Assad

BBC

Hassan Sheikh Omar está em uma plantação de oliveiras no sul da Turquia, de onde se pode ver a Síria. Ele aperta os olhos por causa da intensidade da luz do sol enquanto começa a falar. "Nós ficamos surpresos", diz. "Há muitos dias o EIIL (Estado Islâmico no Iraque e no Levante) e os rebeldes começaram a lutar."

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AFP
Grupos rebeldes como o Exército Livre e o EIIL se enfrentam pelo controle do norte da Síria

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Omar dirige um hospital no lado sírio da fronteira, na cidade de Darkush. Na segunda-feira, combatentes do EIIL, um grupo ligado à rede Al-Qaeda, detonaram um carro-bomba em um posto de controle de um grupo rebelde rival na mesma cidade.

"Tratamos cerca de 70 feridos após o carro-bomba", diz Omar. "Nosso pessoal lutou para fazer o atendimento. Não temos suprimentos médicos suficientes."

Agora os sírios na região da fronteira encaram duas guerras. A primeira é entre o governo e os rebeldes. A segunda é entre os próprios grupos insurgentes. "Desejamos que todos os batalhões combatam o inimigo real, o regime de [do líder sírio Bashar] al-Assad", disse Omar. "É ele quem matou nosso povo e destruiu nosso país."

Infográfico: O que está em jogo para o Oriente Médio com a guerra síria

Os combates entre os grupos rebeldes afetam a vida na Turquia. Por diversos dias, o governo fechou um grande posto de fronteira por causa da luta no país vizinho.

Uma fila de caminhões turcos esperando para entregar produtos agora se estende por quilômetros. Rebeldes sírios usam a região para se recuperar e reagrupar após batalhas do outro lado da fronteira.

Rebeldes

"O EIIL tentou me matar", diz Abu Azzam, uma comandante do Exército Livre da Síria. “Tentaram me matar com um carro-bomba.”

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De um quarto de hotel na cidade fronteiriça de Hatay, Abu Azzam mostra um vídeo gravado na Síria. Nas imagens ele aparece fazendo um pronunciamento em frente a dúzias de colegas rebeldes.

Dois dos homens que aparecem em pé ao lado dele estão mortos agora. Por pelo menos três anos, os combatentes de Abu Assam tinham um inimigo principal: o governo sírio. Mas agora eles lutam contra o EIIL.

Veja imagens do conflito na Síria no ano passado:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

"O EIIL tem muitas pessoas boas", afirma, "mas seus comandantes cometem erros". "É mais difícil lutar contra Assad ou contra o EIIL?", pergunto. "Para nós: o EIIL", responde imediatamente. "Não é uma questão militar. Quando combatemos o regime estamos preparados para morrer – e estamos felizes." "Mas quando lutamos com o EIIL estamos combatendo nossos colegas de ideologia. Mas temos de nos proteger."

Em um comunicado divulgado em áudio nesta semana, o EIIL prometeu que não se renderá. O grupo ordenou que os outros grupos rebeldes desmontem seus postos de controle para não sofrer mais ataques. As guerras na Síria estão se multiplicando.

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