Mau tempo faz juiz adiar julgamento de presidente deposto do Egito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Para advogados, decisão foi motivada politicamente pelo referendo constitucional que será votado nos dias 14 e 15

O mau tempo impediu que o presidente deposto Mohammed Morsi fosse levado de helicóptero nesta quarta-feira para a academia de polícia do Cairo onde continuaria a ser julgado sob a acusação de incitar à morte de manifestantes, noticiou a imprensa estatal. O julgamento será retomado em 1º de fevereiro.

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Gravação de arquivo do presidente deposto Mohammed Morsi é transmitida na televisão em café tradicional no Cairo, Egito

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Morsi, um político islâmico que se tornou em 2012 o primeiro presidente eleito livremente na história egípcia, foi deposto por militares em 3 de julho e atualmente está preso perto da cidade mediterrânea de Alexandria. A audiência desta quarta seria a segunda aparição de Morsi em um tribunal desde sua deposição.

A imprensa chegou a noticiar que ele havia desembarcado na academia de polícia do Cairo, mas depois desmentiu a informação. Segundo o ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim, a decolagem foi impossibilitada por uma densa neblina.

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O processo diz respeito a incidentes violentos em dezembro de 2012 em frente ao palácio presidencial, durante protestos contra um decreto que ampliava os poderes de Morsi. A violência na ocasião deixou ao menos dez mortos e centenas de feridos.

Dos 14 membros da Irmandade Muçulmana que estão sendo julgados com ele, sete o são à revelia, enquanto os outros são mantidos em uma prisão no Cairo.

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As autoridades instituídas pelo Exército depois do golpe de julho também estão processando Morsi por uma suposta conspiração com grupos islâmicos do exterior (Hamas e Hezbollah) e com o governo do Irã e, paralelamente, por suposta ligação com uma fuga carcerária durante o levante que derrubou Hosni Mubarak em 2011. As acusações em todos os três julgamentos a que Morsi é submetido podem levar à sentença de morte.

Desde a deposição de Morsi, sua Irmandade Muçulmana realiza uma campanha de protestos de rua para reivindicar seu retorno. Enquanto isso, o governo apoiado pelo Exército vem reprimindo o grupo, prendendo milhares, incluindo seus líderes de mais alta e média hierarquia.

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O adiamento do julgamento do líder deposto aconteceu menos de uma semana antes de os egípcios comparecerem às urnas para votar em um referendo sobre uma nova Constituição que, se adotada por maioria simples, substituirá uma aprovada previamente sob Morsi. 

Os advogados do presidente deposto afirmaram que o adiamento tinha relação com o referendo que ocorre nos dias 14 e 15 e que a decisão do juiz tinha motivação política.

*Com AP e Reuters

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