Partidários da Irmandade Muçulmana entram em choque com a polícia no Egito

Por Reuters |

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Confrontos durante protestos contra decisão do governo de declarar Irmandade como terrorista deixa três mortos

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Seguidores da Irmandade Muçulmana e a polícia entraram em confronto nesta sexta-feira em diferentes locais do Egito, deixando ao menos três mortos, durante protestos contra a decisão do governo apoiado pelo Exército de declarar a Irmandade uma organização terrorista. A violência se intensificou depois das orações de sexta.

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Partidário do presidente deposto Mohammed Morsi lança gás lacrimogêneo em direção a forças de segurança no Cairo, Egito

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Um simpatizante da Irmandade Muçulmana de 18 anos foi baleado e morto durante confrontos na cidade de Damietta, segundo a polícia. Outro homem foi morto em Minya, um reduto islâmico ao sul do Cairo. A terceira morte aconteceu no Cairo, disse o Ministério do Interior, sem dar detalhes.

As forças de segurança prenderam cerca de 150 simpatizantes da Irmandade, numa nova onda de detenções.

A crescente repressão aumenta as tensões num país que, desde que o Exército derrubou o presidente Mohammed Morsi em julho, vive o pior conflito interno de sua era moderna. As forças de segurança já deixaram centenas de mortos entre seguidores da Irmandade, e ataques fatais contra soldados e policiais já se tornaram normais.

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A Irmandade Muçulmana foi declarada uma organização terrorista depois que um ataque terrorista deixou 16 mortos em uma instalação policial na terça-feira, apesar de o grupo ter condenado o atentado e de uma facção radical do Sinai ter reivindicado a responsabilidade pelo ato.

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A Irmandade e os seus aliados convocaram os protestos como reação à decisão do governo. Os confrontos entre policiais e manifestantes ocorreram no Cairo e em pelo menos mais quatro cidades nesta sexta.

A polícia usou bombas de gás contra manifestações de estudantes no Cairo. Tiros foram ouvidos em Ismailia, onde manifestantes jogaram pedras na polícia, que reagiu com gás lacrimogêneo, disse uma testemunha da Reuters. Segundo o Ministério do Interior, vários policiais ficaram feridos nos confrontos.

Alguns analistas acreditam que o Egito pode viver uma fase de ataques radicais, além dos protestos e os confrontos internos. Um estudante seguidor da Irmandade foi morto no fim desta quinta-feira durante o que o governo descreveu como uma confusão entre simpatizantes e opositores da grupo no Cairo.

O governo, que tem o apoio do Exército, tem dito que a violência não vai tirar a transição política dos trilhos. A previsão é que em janeiro haja um referendo sobre uma nova Constituição.

O governo alertou que qualquer pessoa que participe de um ato pró-Irmandade pode passar cinco anos preso. Penas de prisão podem se tornar perpétuas para acusados sob a legislação antiterrorista. Os líderes do grupo podem ser condenados à pena de morte.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em conversa com o ministro do Exterior egípcio na quinta-feira, "expressou preocupação" com a classificação da Irmandade Muçulmana como terrorista, disse o Departamento de Estado.

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