Líder deposto do Egito enfrentará novo julgamento sob acusação de terrorismo

Por iG São Paulo |

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Acusação, que pode levar à pena de morte, é a mais pesada em uma série de medidas contra a Irmandade

O principal promotor do Egito anunciou nesta quarta-feira que o presidente deposto Mohammed Morsi será julgado sob a acusação de ter conspirado com o grupo palestino Hamas, o grupo xiita libanês Hezbollah e outros para lançar uma campanha de violência terrorista para desestabilizar o país depois de sua deposição.

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Imagem de vídeo publicada no site do jornal el-Watan mostra o presidente Mohammed Morsi durante sua detenção (foto de arquivo)

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As acusações, que podem levar à pena de morte, são as mais abrangentes e pesadas já impostas em uma série de julgamentos contra a Irmandade Muçulmana, grupo de Morsi. O novo julgamento de Morsi, dos três principais líderes da Irmandade e de outros 32 réus parecem ter como objetivo decisivamente estremecer a estrutura do grupo que dominou a política egípcia durante a presidência de um ano de Morsi.

Desde o golpe militar em 3 de julho, que se seguiu a protestos em massa contra Morsi, as forças de segurança lançaram uma forte repressão contra a Irmandade que matou centenas de manifestantes pró-Morsi e prendeu milhares, enquanto o grupo persistiu em protestos diários contra o governo.

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Previamente, julgamentos de Morsi e de outros líderes da Irmandade que estão em andamento enfatizaram acusações de que o grupo está implicado na violência.

Mas as novas acusações levam essa alegação para um outro nível, tendo o objetivo de vincular o grupo a uma nascente insurgência militante islâmica na Península do Sinai que acelerou a queda de Morsi - e fazendo a alegação maior de que a Irmandade esteve misturada com terroristas desde 2005 em acordos para chegar ao poder e mantê-lo.

"O maior caso de conspiração da história do Egito vai a uma corte penal", proclamou o título do anúncio do promotor.

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Mohammed el-Damati, advogado da Irmandade, denunciou o novo julgamento - assim como aqueles que estão em andamento - como "político", com a intenção de dar um verniz de legalidade à repressão.

A declaração do promotor não determina uma data para o início do julgamento. A principal acusação oficial é "takhabur" para cometer terrorismo, um termo árabe que significa estar em comunicação com e revelar segredos de Estado a potências estrangeiras como parte de uma conspiração.

Promotores dizem que, enquanto presidente, Morsi e seus assessores revelaram segredos de Estado a grupos militantes e à Guarda Revolucionária do Irã. Morsi e outros 35, incluindo os três principais líderes da Irmandade, também são acusados de patrocinar o terrorismo e realizar treinamento de combate e outros atos para minar a estabilidade egípcia.

Morsi já está em julgamento sob acusações de incitar a assassinato de manifestantes contrários a ele enquanto estava na presidência. Morsi passou meses em uma detenção militar secreta antes de aparecer em uma corte para enfrentar as acusações em novembro. O julgamento será retomado em janeiro.

Entre os outros réus com Morsi no novo julgamento estão o principal líder da Irmandade, Mohammed Badie, e o vice Khairat el-Shater. Os dois também enfrentam outros julgamentos. Mahmoud Ezzat, outro vice, também foi indiciado, mas continua foragido. Outro acusado é Saad el-Katatni, chefe do partido político da Irmandade.

As novas acusações também têm vínculo com alegações de que Morsi e a Irmandade trabalharam com o Hamas em uma fuga prisional que libertou ele e outros membros do grupo durante o levante do Egito em 2011. A fuga deixou 14 presos mortos. Ao menos 17 dos 35 acusados nesta quarta com Morsi estão foragidos, disseram os promotores.

*Com AP

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