EUA e Reino Unido suspendem ajuda não letal a rebeldes no norte da Síria

Por iG São Paulo |

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Medida é tomada após islâmicos terem capturado bases que pertenciam a grupo opositor apoiado pelo Ocidente

Os EUA e o Reino Unido suspenderam todo o apoio "não letal" aos rebeldes no norte da Síria, mas não a ajuda humanitária. Um porta-voz da embaixada dos EUA em Ancara disse que a decisão foi tomada depois que rebeldes islâmicos capturaram bases que pertenciam ao Exército Livre da Síria (ELS), que tem apoio do Ocidente.

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AP
Combatente xiita da Brigada Hussein atira durante confronto com rebeldes sunitas do Exército Livre da Síria (22/11)

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Combatentes da Frente Islâmica, uma nova aliança de grupos rebeldes, depuseram o ELS do posto de fronteira de Bab al-Hawa com a Turquia na semana passada.

O auxílio não letal inclui remédios, veículos e equipamento de comunicação. Os países dos EUA e da Europa têm relutado em fornecer armas e munição diretamente para os grupos rebeldes na Síria por causa de preocupações de que elas possam acabar nas mãos de jihadistas afiliados à Al-Qaeda. Entretanto, têm facilitado o envio secreto de carregamentos de armas.

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No mês passado, sete importantes grupos rebeldes - Ahrar al-Sham, Jaysh al-Islam, Suqour al-Sham, Liwa al-Tawhid, Liwa al-Haqq, Ansar al-Sham e Frente Islâmica Curda - declararam que já formavam a maior aliança nos 33 meses de conflito, com uma estimativa de 45 mil militantes.

Eles disseram que a Frente Islâmica era uma "formação política, militar e social independente", cujo objetivo era depor o governo do presidente Bashar al-Assad e formar um Estado islâmico.

A frente não inclui as afiliadas da Al-Qaeda, como o Estado Islâmico no Iraque Levante e a Frente al-Nusra, mas sua carta régia  celebra os mujahedin (combatentes islâmicos) como "irmãos que nos apoiam na jihad (guerra santa)" e sugere que quer cooperar com elas.

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Na semana passada, a Frente Islâmica anunciou que se retirava do comando do Conselho Militar Supremo (CMS) do ELS, que é alinhado com a opositora Coalizão Nacional.

Quatro dias depois, os combatentes expulsaram as forças alinhadas ao CMS de suas bases e de depósitos em Bab al-Hawa, na Província de Idlib, noroeste, que continham armas e equipamentos que haviam sido levados para dentro da Síria pela Turquia.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo ativista com base no Reino Unido, disse que dezenas de armas antiaéreas e foguetes antitaque foram capturados.

Nesta quarta, o porta-voz da embaixada dos EUA disse à Reuters que a situação em Bab al-Hawa estava sob investigação para "averiguar o status do equipamento dos EUA e dos suprimentos fornecidos ao CMS".

A assistência humanitária dos EUA não seria afetada porque vem sendo distribuída por meio de organizações internacionais e não governamentais, disse o porta-voz. Autoridades de Washington disseram à Associated Press que o envio de material não letal para o sul da Síria continuaria via Jordânia.

Os EUA se comprometeram a fornecer US$ 250 milhões em assistência não letal para a Coalizão Nacional, conselhos locais de oposição e o CMS. As brigadas dos rebeldes recebem alimentos, remédios, equipamento de comunicações e veículos.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido disse à BBC que o envio de ajuda era temporário e "se devia a uma investigação".

*Com BBC

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