Não há data para conferência de paz sobre a Síria, diz enviado da ONU

Por iG São Paulo |

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Impasse sobre papel do Irã e divisões na oposição da Síria prejudicaram agendamento de reunião entre diplomatas

Após um intenso dia de negociações, os EUA e a Rússia fracassaram em acordar uma data para levar os dois lados da guerra da Síria à mesa de negociações. As duas potências permaneceram divididas sobre o papel que o Irã deveria desempenhar em uma possível conferência de paz em Genebra.

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Subsecretária de Estado para Políticas Externas dos EUA Wendy Sherman chega a encontro com representantes da Liga Árabe e da Rússia em Genebra, Suíça

O enviado da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, afirmou a repórteres ao final das reuniões envolvendo EUA e Rússia e outros países que o impasse não significava que todas as esperanças de retomar as negociações iniciadas em junho de 2012 estavam perdidas.

Outra rodada de diálogos entre EUA e Rússia para tentar organizar uma segunda conferência de paz na Suíça ocorrerá em 25 de novembro. "Estamos tentando ver se conseguimos fazer a conferência antes do final do ano", disse.

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Brahimi disse que uma das maiores dificuldades são as profundas divisões na oposição síria. "Não é segredo para ninguém que a oposição tem uma série de problemas e está trabalhando seriamente apra superá-los e alcançar uma posição e nomear uma delegação que a represente em Genebra, e isso é o que nos atrasou um pouco", disse.

Os líderes das potências mundiais discordam fortemente sobre quais passos devem ser tomados para resolver o conflito e como deveria ser a futura liderança da Síria após o regime de Bashar al-Assad.

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O ministro da Informação da Síria disse que a delegação do governo não está preparada para negociar a entrega de poder ou a formação de um governo de transição. Membros do grupo de oposição exilado apoiado pelo Ocidente insistem que Assad seja excluído da futura liderança da Síria para que aconteça qualquer negociação de paz.

Em entrevista à TV estatal síria na segunda-feira (4), Omran al-Zoubi disse que a conferência de Genebra é parte de um processo político "e não a entrega do poder ou a formação de um corpo de governo de transição".

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O chanceler russo, Sergei Lavrov, cujo país apoia Assad, novamente insistiu que o Irã, também aliado ao regime, participe das conversas para colocar fim ao conflito sírio. Mas a presença iraniana na conferência seria um fator incômodo para os rebeldes sírios e seus apoiadores no Golfo.

O conflito teve início como uma revolta em sua maioria pacífica contra o governo Assad em março de 2011, e, gradualmente, foi evoluindo para um conflito armado, depois que alguns opositores pegaram em armas para lutar contra a repressão do regime.

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No último ano, a guerra ganhou tons sectários com rebeldes predominantemente sunitas lutando contra o regime Assad, dominado por alauítas, um segmento do grupo xiita.

Com AP

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