Mohammed Morsi se disse o presidente legítimo do país e afirmou não reconhecer autoridade do tribunal

Após quatro meses detido em local desconhecido, o presidente islamita deposto do Egito Mohammed Morsi rejeitou a autoridade da Corte durante a abertura de seu julgamento nesta segunda-feira (4), dizendo que ele era o "líder legítimo" do país. O julgamento foi então adiado para 8 de janeiro após várias interrupções.

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Partidária de Morsi mostra número 4, que virou um símbolo da mesquita Rabaah al-Adawiya, onde acampamento de islamitas foi brutalmente reprimido pelo Exército em agosto
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Partidária de Morsi mostra número 4, que virou um símbolo da mesquita Rabaah al-Adawiya, onde acampamento de islamitas foi brutalmente reprimido pelo Exército em agosto

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O presidente Mohammed Morsi, primeiro presidente eleito livremente no Egito, esteve detido em um local desconhecido desde sua deposição em 3 de julho. Com aparência saudável, Morsi compareceu à Corte nesta segunda vestindo um terno azul escuro. Ele se recusou a colocar a vestimenta de presídio como ordenou o juiz.

Morsi e 14 outros réus, figuras importantes da Irmandade Muçulmana, enfrentam acusações de incitar a violência na morte de manifestantes que se amontoaram às portas do palácio presidencial em dezembro, exigindo o cancelamento do referendo de uma nova constituição elaborada por seus aliados islamitas.

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Imagem de vídeo publicada no site do jornal el-Watan mostra o presidente Mohammed Morsi durante sua detenção
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Imagem de vídeo publicada no site do jornal el-Watan mostra o presidente Mohammed Morsi durante sua detenção

Os membros da Irmandade atacaram um acampamento de manifestantes, provocando confrontos e a morte de 10 pessoas. Se condenados, Morsi e os outros 14 poderão enfrentar a pena de morte. O líder da Irmandade rejeitou os procedimentos e disse que ele foi obrigado a comparecer ao tribunal. "Esse é um golpe militar, cujos líderes deveriam ser julgados de acordo com a constiuição", disse Morsi ao juiz. "Eu sou o presidente da República e eu estou aqui contra a minha vontade. O que está acontecendo aqui é o acobertamento de um golpe militar."

A tumultuada sessão desta segunda-feira reflete a tensa atmosfera de uma nação profundamente polarizada entre os partidários islamitas de Morsi e o governo apoiado pelo Exército e egípcios moderados.

O início da audiência foi atrasado por quase duas horas por causa da recusa de Morsi em vestir o uniforme de presidiário. O juiz, Ahmed Sabry Youssef, teve que suspender a audiência duas vezes por causa da interrupção dos réus com cantos e palavras de ordem. O processo foi adiado então para 8 de janeiro para que os advogados de defesa revisassem os documentos, segundo a secretaria do tribunal.

Não foi imediatamente esclarecido o local para onde Morsi foi levado após a sessão. A TV estatal inicialmente afirmou que ele havia sido transferido para a principal prisão no Cairo, onde os co-réus permanecem detidos. Mas depois, houve uma informação de que ele teria sido levado a uma prisão no deserto próximo de Alexandria.

Veja imagens do Egito desde a queda de Morsi:

Com AP

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