Começa julgamento do presidente deposto Morsi em meio a tensões no Egito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Líder islamita deposto recusa legitimidade do julgamento e Corte suspende os trabalhos temporariamente, diz TV

Sob forte segurança nos arredores de Cairo, o presidente deposto do Egito Mohammed Morsi compareceu à Corte nesta segunda-feira (4) para o seu julgamento. Ele e outros 14 líderes da Irmandade Muçulmana enfrentam acusações por incitar a violência entre os manifestantes em 2012, durante protesto em frente ao palácio presidencial.

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Partidária de Mohammed Morsi grita palavras de ordem contra o Exército do Egito em frente a uma academia de polícia onde ocorre o julgamento do líder deposto no Cairo

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De acordo com a TV estatal, pouco depois do início, o julgamento foi temporariamente suspenso diante dos gritos de palavras de ordem dos réus e da recusa de Morsi em vestir o uniforme de presidiário. Autoridades de segurança do Egito afirmaram que Morsi disse perante ao tribunal que ele continua sendo o "presidente legítimo" do país.

Segundo esses agentes, que falaram sob condição de anonimato á agência Associated Press, os comentários de Morsi foram feitos em resposta ao juiz, que chamou seu nome identificando-o como um "réu". Ele teria respondido: "Eu sou o doutor Mohammed Morsi, o presidente da República. Eu sou o presidente legítimo do Egito".

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E acrescentou: "Eu me recuso a ser julgado por esse tribunal."

Morsi foi deposto pelo Exército em 3 de julho depois que protestos em massa pediram sua retirada do poder. Desde então, ele permaneceu preso em local desconhecido e incomunicável, tendo recebido algumas poucas visitas de autoridades.

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Imagem de vídeo publicada no site do jornal el-Watan mostra o presidente Mohammed Morsi durante sua detenção

Mais cedo nesta segunda, ele chegou ao complexo da Academia de Polícia de helicóptero. Outros membros da Irmandade, incluindo Essam el-Erian, Mohammed al-Beltagi e Ahmed Abdel Aatie, teriam sido levados em carros blindados.

Era esperado que o julgamento acontecesse na prisão Tora, do outro lado do Cairo, mas o local foi trocado na noite de domingo, aparentemente para impedir manifestações.

Pouco após a chegada de Morsi, uma pequena multidão começou a protestar em frente ao complexo policial, localizado a uma hora de carro do centro da cidade. Cada vez mais partidários de Morsi se reuniam em frente ao local para gritar palavras de ordem contra o chefe do Exército, o general Abdel Fattal al-Sissi, que liderou a retirada de Morsi do poder.

Manifestantes também cercaram uma equipe da TV estatal, chamando-os de mentirosos antes de começar a arremessar pedras contra eles. Outros protestos foram registrados em frente à Suprema Corte no centro do Cairo e do lado de fora da Suprema Corte Constitucional, ao sul.

Morsi e os outros 14 podem ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte se considerados culpados, o que aumentaria ainda mais a tensão entre os integrantes da Irmandade e o governo, e aprofundaria a instabilidade política que tem prejudicado o turismo e o investimento num país onde um quarto das pessoas está abaixo da linha de pobreza.

Quando os militares derrubaram Morsi, foi prometido um plano para conduzir o país a novas eleições livres. Contudo, o que se viu foi um dos mais duros esquemas de repressão já montados contra a Irmandade, que agora luta para sobreviver.

Veja imagens do Egito desde a queda de Morsi:

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

Em agosto, a polícia de choque, com apoio de atiradores do Exército, acabou com os protestos de rua que exigiam o retorno de Morsi. Autoridades acusam a Irmandade de estimular a violência e o terrorismo. Centenas de integrantes do movimento foram mortos, e muitos dos seus líderes, presos. A Irmandade nega ligações com atividades violentas.

As acusações de incitar a violência estão relacionadas com a morte de dezenas de pessoas em confrontos do lado de fora do palácio presidencial em dezembro, depois que Morsi irritou os adversários com um decreto que aumentava os seus poderes.

Com AP, BBC e Reuters

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