Estudantes quebraram vidros, arremessaram cadeiras e picharam paredes após detenção de Essam El-Erian

Reuters

A polícia egípcia lançou gás lacrimogêneo contra manifestantes que protestavam nesta quarta-feira (30) na universidade al-Azhar, no Cairo, horas depois de as autoridades anunciarem a prisão de um líder da Irmandade Muçulmana , Essam El-Erian, como parte de uma ação repressiva contra o movimento islâmico.

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Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo
AP
Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo

Erian, vice-líder do Partido da Liberdade e Justiça, o braço político da Irmandade, foi detido em uma residência em Novo Cairo, onde estava escondido.

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No principal campus da universidade al-Azhar, estudantes quebraram vidros, arremessaram cadeiras e picharam as paredes de um prédio administrativo. "Sisi é um cachorro. Abaixo, abaixo o lorde do Exército", rabiscou um manifestante, referindo-se ao chefe do Exército, general Abdel Fattah al-Sisi, que liderou a derrubada do presidente deposto Mohamed Morsi , membro da Irmandade Muçulmana .

Um policial gritou: "Prendam qualquer um que vocês virem. Tragam-me esses garotos. Se vocês virem alguém, simplesmente prendam imediatamente".

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Alunos da principal instituição do Egito para estudos islâmicos vêm realizando protestos há semanas em apoio a Morsi, que foi destituído pelo Exército em julho após protestos em massa contra seu governo . As manifestações na universidade al-Azhar são uma questão delicada, porque, historicamente, se trata de uma instituição que segue a linha governamental.

Muitos líderes da Irmandade foram presos desde a derrubada de Morsi , o primeiro presidente escolhido em eleições livres no Egito. Morsi, Erian e outros 13 dirigentes da Irmandade deverão ir a julgamento na segunda-feira (4), pela acusação de incitação à violência.

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As acusações estão relacionadas com a morte de cerca de uma dezena em confrontos diante do palácio presidencial, em dezembro, depois de Morsi ter deixado os manifestantes enfurecidos ao baixar um decreto aumentando os seus poderes.

O julgamento de três dirigentes da Irmandade pelo delito de incitar a violência foi suspenso na terça, depois de o juiz ter se retirado do caso por motivos não explicados. Os julgamentos provavelmente vão provocar mais revolta no Egito, que tem um tratado de paz com Israel e controla o Canal de Suez, uma rota vital para o comércio mundial.

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A Irmandade exige a recondução de Morsi ao cargo e acusa o Exército de ter dado um golpe que sabotou avanços democráticos no país desde que um levante popular derrubou o presidente autocrata Hosni Mubarak, em 2011.

Pelo menos mil pessoas, incluindo membros das forças de segurança, foram mortas na violência que se seguiu à destituição de Mursi. Centenas de seus partidários morreram quando a polícia invadiu dois acampamentos de manifestantes, em 14 de agosto.

Em setembro, uma corte egípcia baniu a Irmandade e tomou seus recursos para tentar esmagar o movimento, que o governo acusa de incitar o terrorismo.

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