Clérigos autorizam sobreviventes da guerra síria a comer carne de cachorro

Por BBC | - Atualizada às

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Medida de líderes religiosos libera também consumo de gatos e burros para evitar que sírios morram de fome

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Um grupo de clérigos sírios emitiu um decreto religioso, conhecido como fatwa, permitindo que sobreviventes da guerra comam tipos de carnes normalmente proibidas pelo Islã.

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Em um vídeo, os líderes religiosos aparecem dizendo que os moradores de Ghouta, uma região agrária próxima de Damasco, podem comer gatos, cachoros e burros para evitar que morram de fome.

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Os clérigos disseram que a fatwa é também um alerta para o mundo todo, acrescentando que se a situação continuar a se deteriorar, os sobreviventes não terão outra alternativa a não ser comer os mortos. A mensagem coincide com o feriado muçulmano de Eid al-Adah – que normalmente é uma época de celebração.

Fatwas semelhantes já foram emitidas em outras cidades sírias, como Homs e Aleppo, quando o conflito se agravou nesses locais.

Fome extrema

O decreto religioso foi divulgado em meio a uma crise de fome extrema no subúrbio de Muadhamiya, na capital síria, que é controlado pelos rebeldes e está cercado.

Agências de ajuda humanitária fizeram um apelo ao governo do presidente Bashar Al-Assad, para que permita a entrada de seus funcionários na região, onde muitos moradores estão presos.

Centenas de civis, alguns carregando macas, conseguiram fugir de Muadhamiya no fim de semana, após um cessar-fogo temporário.

Veja fotos do conflito na Síria:

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters


'Situação absurda'

Segundo agências de ajuda humanitária, fornecer alimentos e outros mantimentos nessas áreas sob ataque deve ser tão prioritário quanto programas para desmantelar o arsenal de armas químicas da Síria.

O diretor-geral da ONG Médicos Sem Fronteiras, Christopher Stokes, descreveu como “absurda” a situação em que inspetores de armas químicas foram autorizados a se locomover livremente em áreas em que as condições dos civis eram desesperadoras e os comboios humanitários foram proibidos de circular.

Centenas de pessoas foram mortas em 21 de agosto, quando foguetes carregando gás neurotóxico foram disparados nas regiões de Zamalka, Ein Tarma e Muadhamiya. Os inspetores não determinaram quem foi o responsável pelo ataque químico – governo e rebeldes acusam uns aos outros pelo crime.

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