Rebeldes sírios cometeram crimes de guerra, diz organização em relatório

Por iG São Paulo |

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Human Rights Watch afirma que combatentes mataram ao menos 190 civis em ataque contra vilarejos pró-regime

Combatentes rebeldes liderados por jihadistas na Síria mataram ao menos 190 civis e capturaram outros 200 durante uma ofensiva em agosto contra vilarejos pró-regime, cometendo um crime de guerra, disse nesta sexta-feira (11) a organização Human Rights Watch.

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Em relatório de 105 páginas, a organização afirma que os ataques de 4 de agosto contra civis desarmados em mais de dez vilarejos na província de Latakia foram sistemáticos.

A HRW disse que muitos dos mortos foram executados por grupos militantes, alguns ligados à Al-Qaeda, que invadiram posições militares ao amanhecer do dia 4 de agosto e depois entraram em dez vilarejos próximos onde viviam membros da seita alauíta, do presidente Bashar al-Assad.

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Testemunhas afirmaram que rebeldes entraram de casa em casa, em alguns casos matando famílias inteiras e, em outros, matando os homens e levando mulheres e crianças como reféns.

Um sobrevivente, Hassan Shebli, disse que ele fugiu assim que os rebeldes se aproximaram do vilarejo de Barouda ao amanhecer, mas se viu obrigado a deixar para trás sua mulher e seu filho.

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Quando Shebli retornou dias depois, quando as forças do governo já haviam retomado o controle do vilarejo, ele encontrou os dois enterrados perto da casa e marcas de bala e sangue no quarto, informou o grupo com base em Nova York.

Investigadores de crimes de guerra acusam os dois lados da guerra civil síria, agora em seu terceiro ano, de cometer delitos, embora eles tenham dito no início do ano que a escala e intensidade dos abusos cometidos por rebeldes não chegam nem perto das atrocidades do regime.

Lama Rakih da Human Rights Watch disse que os abusos de rebeldes em Latakia "certamente podem ser considerados crimes de guerra" e podem chegar ao nível de crimes contra a humanidade.

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O grupo disse que mais de 20 grupos rebeldes participaram da ofensiva contra Latakia. Cinco grupos, incluindo dois aliados à Al-Qaeda e outros com tendências jihadistas, lideraram a campanha, que aparentemente foi financiada em parte por doações particulares recolhidas no Golfo Pérsico.

A Human Rights Watch fez um apelo aos Estados do Golfo para parar de enviar dinheiro para essas ofensivas. Também apelou à Turquia, uma base de retaguarda par amuitos rebeldes, para processar aqueles ligados a crimes de guerra e restringir o fluxo de armas e combatentes. A oposição síria apoiada pelo Ocidente deve cortar laços com os grupos que lideraram a ofensiva contra Latakia, disse o relatório.

A organização afirmou que ao menos 67 das 190 vítimas foram mortas pelos rebeldes de perto ou enquanto tentavam fugir. Há sinais de que a maior parte dos outros foram mortos intencionalmente ou indiscriminadamente, mas é necessária uma melhor investigação.

Os rebeldes capturaram mais de 200 civis de vilarejos alauítas, a maior parte deles mulheres e crianças, e exigiram que eles fossem trocados por prisioneiros do regime.

Com AP e Reuters

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