Primeiro-ministro da Líbia é libertado após horas de sequestro

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

'Esperamos que essa questão seja tratada com sabedoria', disse Ali Zidan após ter sido capturado de hotel em Trípoli

O primeiro-ministro da Líbia, Ali Zidan, foi libertado do cativeiro horas depois de ter sido sequestrado por homens armados na manhã desta quinta-feira (10) do hotel em que ele reside na capital do país, Trípoli, segundo a agência de notícias estatal.

Conheça a nova home do Último Segundo

AP
Premiê líbio Ali Zidan (esq) participa de coletiva de imprensa após ser resgatado de cativeiro


Terça-feira: Líbia convoca embaixadora americana para esclarecer captura

John Kerry: Captura de suposto terrorista na Líbia foi 'legal e apropriada'

O ousado sequestro - aparentemente em retaliação à captura de um suposto integrante da Al-Qaeda que estava em Trípoli pelos EUA - reflete o profundo caos que toma conta do país árabe.

Acredita-se que os homens armados que sequestraram Zidan seriam parte de uma milícia e, aparentemente, o premiê foi libertado por membros de outra milícia que invadiram o local onde ele era feito refém.

Depois que as autoridades anunciaram sua libertação, Zidan fez um pronunciamento no encontro do gabinete, transmitido pela Libyan TV. Ele agradeceu àqueles que ajudaram na sua libertação, mas não forneceu detalhes e evitou acusar responsáveis pela captura.

"Esperamos que essa questão seja tratada com sabedoria e racionalidade, distante das tensões", disse. "Há muitas coisas que precisamos tratar."

Mais cedo, um comandante da milícia afiliada ao Ministério do Interior afirmou a uma emissora de TV líbia que o primeiro-ministro foi libertado quando tropas do grupo armado invadiram a casa onde funcionava seu cativeiro.

Em Trípoli: Líbia exige explicações dos EUA por "sequestro" de cidadão 

Haitham al-Tajouri, comandante da milícia com base em Trípoli, disse à TV Al-Ahrar que esses homens trocaram fogo com seus sequestradores, mas Zaidan não ficou ferido. "Ele está seguro agora. Em um local seguro", disse. Suas afirmações não puderam ser verificadas de forma independente.

O sequestro de Zidan reflete a fraqueza do governo da Líbia, que é refém de poderosas milícias, muitas das quais formadas por militantes islâmicos. Alguns militantes ficaram furiosos com a captura pelos EUA do suposto integrante da Al-Qaeda, conhecido como Abu Anas al-Libi, e acusaram o governo de conluio ou de ter permitido o ataque.

Com a polícia e o Exército do país em desordem, muitos se alistam para servir em agências de segurança do Estado, embora sua lealdade seja mais forte em relação aos seus próprios comandantes do que aos funcionários do governo. As milícias têm suas raízes nas brigadas que lutaram na revolta que derrubou o governo de Muamar Kadafi em 2011.

Na terça-feira, Zidan disse que o governo líbio havia pedido permissão a Washington para que a família de al-Libi estabelecesse contato com ele. Zidan insistiu que os cidadãos líbios deveriam ser julgados em seu território caso sejam acusados de crime, destacando que "a Líbia não vai desistir de seus filhos".

Al-Libi é um suposto membro sênior da Al-Qaeda e é procurado pelos EUA pelo ataque às embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia em 1998, com uma recompensa de US$ 5 milhões.

Logo após o ataque, o governo líbio divulgou um comunicado dizendo que a invasão foi feita sem o seu conhecimento e pedindo esclarecimentos dos EUA sobre a operação. "Os EUA ajudaram muito a Líbia durante a revolução e as relações não deveriam ser afetadas por um incidente, mesmo que seja sério", disse Zidan em uma coletiva em Trípoli.

Em Brunei, o secretário-geral da ONU condenou o sequestro e caracterizou o crime como um "chamado" para os países que estão em transição democrática. "Seriam muito importante para o governo líbio e sua liderança garantir um diálogo inclusivo para que as pessoas possam participar do processo", disse Ban durante uma cúpula asiática.

Com AP

Leia tudo sobre: líbiasequestrotrípolizidan

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas