Órgão fiscalizador de armas químicas quer cessar-fogo temporário na Síria

Por iG São Paulo |

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Equipes de inspetores que trabalham para destruir arsenal em meio à guerra defendem trégua entre tropas e rebeldes

Equipes estrangeiras que inspecionam a destruição das armas químicas da Síria terão que negociar acordos de cessar-fogo entre as forças do governo e dos rebeldes para conseguir obter acesso a alguns estoques, autoridades próximas à missão afirmaram nesta quarta-feira (9).

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Diretor-geral da OPAQ, Ahmet Uzumcu, faz pronunciamento sobre a missão para destruir as armas químicas na Síria durante coletiva em Haia, Holanda

A revelação representa uma clara indicação dos riscos e dificuldades do plano de desarmamento, previsto em uma resolução no Conselho de Segurança, e sugere que o esforço para livrar Damasco de seus estoques de gás químico pode não ser suficiente para cumprir o prazo de até 2014.

A destruição do estoque é liderada por uma equipe com especialistas das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

O diretor-geral da OPAQ, Ahmet Uzumcu, disse a jornalistas em Haia que o prazo era apertado, mas "não irreal". Ele afirmou que os inspetores precisam visitar mais de 20 locais nos próximos dias e semanas. Desde que a missão teve início, eles estiveram em um local; e devem inspecionar um segundo próximo a Damasco ainda nesta quarta.

Essa é a primeira vez que a organização mundial que monitora a Convenção de Armas Químicas enviou seus inspetores e analistas químicos em uma guerra civil. A segurança da equipe é a maior preocupação em meio aos combates contínuos entre o presidente Bashar al-Assad e vários grupos rebeldes. A guerra já deixou 100 mil mortos.

"Se conseguirmos garantir alguma cooperação de todas as partes e alguns acordos de cessar-fogo temporários para permitir que nossos especialistas trabalhem em um ambiente muito hostil, acho que as metas serão alcançadas", disse Uzumcu em sua primeira declaração pública sobre a missão.

Tentativas anteriores de mediar acordos de cessar-fogo fracassaram, embora seja mais fácil para combatentes concordarem com uma trégua em um local específico por um período de tempo limitado.

Em Haia, Malik Ellahi, outra autoridade sênior da OPAQ, disse que enquanto os acordos de cessar-fogo forem vitais para algumas localidades, Damasco deixou muitas de suas armas em locais seguros e longe de territórios controlados por rebeldes. "Até agora, o que nos tem sido dito é que a maioria dos locais e complexos que precisamos inspecionar estão sob controle do governo", disse.

Ainda assim, as equipes de inspetores precisarão de autorização de segurança quando e para onde quer que se movimentem. Segundo Uzumcu, as autoridades sírias que estão lidando com os inspetores têm cooperado com a missão até o momento.

Com AP

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