Presidente deposto é acusado de ter incitado violência contra opositores durante seu mandato no Egito

O presidente deposto do Egito Mohammed Morsi vai a julgamento em 4 de novembro acusado de incitar a violência contra seus opositores enquanto estava na presidência, anunciou um tribunal egípcio nesta quarta-feira (9).

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Partidários do Grupo Islâmico libanês penduram grande retrato do presidente deposto no Egito Mohammed Morsi em Beirute, Líbano (foto de arquivo)
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Partidários do Grupo Islâmico libanês penduram grande retrato do presidente deposto no Egito Mohammed Morsi em Beirute, Líbano (foto de arquivo)

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Morsi foi deposto em um golpe militar em 3 de julho e está mantido preso e incomunicável em uma localização desconhecida. Ele não foi visto, embora tenha falado com sua família duas vezes e tenha recebido as visitas da chanceler da União Europeia Catherine Ashton e de uma delegação africana.

Catorze outros membros da Irmandade Muçulmana serão julgados ao lado de Morsi, incluindo assessores importantes e líderes do grupo.

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O Tribunal de Apelação do Cairo também indicou o juiz Ahmed Sabry Yousseff para presidir o julgamento, segundo a agência estatal de notícias do país, Mena.

O advogado Mostafa Atteyah disse que uma reunião da equipe que defenderá Morsi, que deverá se reunir ainda nesta quarta, decidirá sobre o curso da ação e o nome do chefe da equipe. Ele disse que os advogados não tiveram acesso aos documentos do processo até o momento.

"É como todos os outros processos. É fabricado", disse Atteyah, acrescentando que outros processos contra membros da Irmandade Muçulmana são baseados em evidências fracas. 

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As acusações de Morsi remontam a um dos principais ataques de violência durante seu mandato. Ao menos 100 mil manifestantes se reuniram em frente ao palácio presidencial em 4 de dezembro para protestar contra um decreto que protegia as decisões de Morsi do crivo judicial. 

No dia seguinte, grupos islamitas e partidários de Morsi atacaram manifestantes acampados do lado de fora do palácio presidencial, provocando batalhas de ruas que deixaram 10 mortos.

A promotoria acusa Morsi de incitar seus partidários e auxiliares a matar seus opositores para colocar fim ao acampamento.

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Autoridades da Irmandade e os políticos de seu partido negaram ter usado violência e disseram que seus partidários estavam defendendo o palácio. Eles acusaram os opositores de ter dado início aos confrontos.

O julgamento do primeiro egípcio eleito livremente presidente é parte de uma intensa repressão contra a Irmandade, que já teve seus líderes e principais figuras presos e sendo julgados.

Com AP

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