Grupo de vinte especialistas darão início à missão de supervisionar o desmantelamento do arsenal de Assad

Um grupo de inspetores chegou à Síria nesta terça-feira (1º) para dar início à ambiciosa tarefa de supervisionar a destruição do programa de armas químicas do presidente do país, Bashar al-Assad , começando uma missão que deve lidar com a sangrenta guerra civil no país, bem como com os holofotes da comunidade internacional.

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Ativistas sírios inspecionam corpos de supostas vítimas de ataque químico na região de Ghouta, no bairro de Duma, Damasco (21/8)
Reuters
Ativistas sírios inspecionam corpos de supostas vítimas de ataque químico na região de Ghouta, no bairro de Duma, Damasco (21/8)

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Vinte inspetores da agência sediada na Holanda atravessaram a fronteira da Síria a partir do Líbano em seu caminho para Damasco para dar início à sua complexa missão de encontrar, desmantelar e finalmente destruir um arsenal estimado em mil toneladas.

Os especialistas têm cerca de nove meses para completar a tarefa, que recebeu o respaldo de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que exige que o estoque químico da Síria seja eliminado até meados de 2014. Esse é o prazo mais curto com o qual os especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas já tiveram, e é a primeira vez que eles realizam uma missão em um país em guerra.

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Até sua chegada em Damasco, os inspetores devem se encontrar com autoridades do Ministério das Relações Exteriores.

Inspetores em Haia, onde a Organização para a Proibição das Armas Químicas está sediada, disse no domingo que a prioridade dos inspetores é conseguir incapacitar a Síria de desenvolver e produzir armas químicas até 1º de novembro, usando para isso todos os meios possíveis. Isso pode incluir a destruição de equipamentos de mistura, de mísseis usados para transportar agentes químicos e tanques.

Alguns inspetores farão uma segunda checagem da lista fornecida pelo governo sírio com os itens de seu estoque químico, bem como sua localização. Outros planejarão a logística para as visitas das localizações onde os agentes químicos e as armas estão armazenados.

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Dentro de uma semana, um segundo grupo de inspetores está programado para chegar e formar equipes que se espalharão por locais específicos. Suas rotas são secretas - tanto para garantir sua própria segurança e por que a Síria tem o direito de não revelar seus segredos militares, incluindo localizações de bases.

A missão de inspetores nasceu após um ataque químico ocorrido em 21 de agosto em redutos da oposição localizados nos subúrbios de Damasco. Os EUA e seus aliados acusam o regime sírio de serem responsáveis, enquanto a Síria, e a sua maior aliada, a Rússia, culpam os rebeldes que lutam para derrubar o governo Assad.

O ataque químico fez com que o governo Obama ameaçasse retaliar o regime Assad militarmente, provocando semanas de intensas negociações diplomáticas que culminaram na resolução no Conselho de Segurança da ONU para retirar as armas químicas da Síria.

A resolução também apoia um roteiro para a transição política da Síria adotada por potências em junho de 2012, e demanda que uma conferência internacional de paz em Genebra seja realizada o "mais breve possível".

Com AP

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