Em comunicado, grupos defendem planejamento islâmico e recusam Coalizão Nacional Síria, baseada na Turquia

Mais de dez grupos rebeldes sírios importantes disseram nesta quarta-feira (24) que rejeitam a autoridade da coalizão opositora apoiada pelo Ocidente, no mesmo dia em que inspetores da ONU retornaram ao país para continuar sua investigação sobre supostos ataques químicos.

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Sírios se reúnem no local onde um carro-bomba explodiu no bairro de al-Tadhamon, Damasco (24/9)
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Em um comunicado conjunto, 13 grupos rebeldes incluindo uma poderosa facção vinculada à Al-Qaeda criticaram a Coalizão Nacional Síria, baseada na Turquia, dizendo que a organização não mais representa seus interesses.

O comunicado reflete a falta de unidade entre a oposição política exilada e a série de grupos rebeldes que lutam para o fim do regime do presidente Bashar al-Assad na guerra civil que já deixou mais de 100 mil mortos. Também destaca a crescente irrelevância da coalizão e de seu braço militar comandado pelo general Salim Idris, que chefia o Supremo Conselho Militar, apoiado pelo ocidente, em meio a uma crescente radicalização no território sírio.

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O comunicado dos grupos rebeldes foi intitulado como "Comunicado nº1", um termo usado anteriormente por países árabes após golpes militares para deixar clara a criação de um novo corpo de liderança. Um vídeo divulgado na internet mostrou Abdel-Aziz Salameh, chefe político da brigada Liwaa al-Tawheed, grupo particularmente forte em Aleppo, lendo o comunicado.

Os movimentos rebeldes sírios variam muito em seus níveis de organização interna, e não era possível verificar imediatamente se outros se outros líderes signatários ou combatentes na Síria aprovaram o comunicado. Mas não houve nenhuma reação imediata de rejeição ao texto.

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Os signatários convocaram todas as forças civis e militares "para se unir sob um claro planejamento islâmico baseado na sharia , que deve ser a única fonte de nossa legislação". O texto afirma que os rebeldes "não reconhecem" qualquer governo futuro formado de fora da Síria, insistindo que as forças que lutam no território deveriam ser representadas por "aqueles que sofreram e fizeram parte do sacrifício".

Mas os rebeldes entre si também estão profundamente divididos, com muitos grupos culpando jihadistas e militantes da Al-Qaeda pela relutância do Ocidente em intervir militarmente na Síria ou fornecer armamentos mais potentes que eles precisam. Há também crescente preocupação de que o papel dominante dos extremistas tiram o crédito da revolta.

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Ainda assim, os jihadistas, incluindo membros do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, vinculado à Al-Qaeda, fazem parte de uma das forças mais efetivas no campo de batalha, lutando ao lado do Exército Livre Sírio, apoiado pelo Ocidente, para capturar instalações do Exército de Assad, bem como complexos estratégicos e bairros em cidades como Aleppo e Homs.

Entre os signatários estão as brigadas de tendência islâmica Ahrar al-Sham e Liwaa al-Islam, ambas facções rebeldes poderosas com muitos seguidores, bem como a Frente Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda. Três delas - a Liwaa al-Tawheed, a Liwaa al-Islam e a Suqour al-Sham - até agora eram parte do Exército Livre Sírio, considerado como o braço militar da coalizão.

Com AP

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