Equipe investigará outros supostos usos de armas deste tipo no país; potências farão nova reunião na ONU

O chefe da equipe da ONU que inspeciona armas químicas afirmou que sua equipe retornará para a Síria "dentro de semanas" para completar a investigação iniciada antes do ataque de 21 de agosto , sobre o uso de armas químicas em outros episódios no país.

Ake Sellstrom, chefe da equipe de armas químicas que trabalhou na Síria, entrega o relatório sobre o massacre de Al-Ghouta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (15/9)
AP
Ake Sellstrom, chefe da equipe de armas químicas que trabalhou na Síria, entrega o relatório sobre o massacre de Al-Ghouta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (15/9)

Ake Sellström disse à agência Associated Press na quarta-feira (18) que sua equipe vai avaliar as "acusações de uso de armas químicas dos dois lados, mas também principalmente do lado do governo sírio".

Ele disse que não acredita que há uma necessidade de mais investigações em relação ao ataque de 21 de agosto, mas afirmou que "se recebermos qualquer informação adicional, será incluída no nosso próximo relatório". Ele se recusou a especificar em quais locais os inspetores farão suas análises e sobre que eventos eles pesquisariam.

Na terça-feira, o relatório produzido pela equipe de Sellström foi divulgado pela ONU, confirmando o uso de gás sarin no ataque de 21 de agosto lançado contra redutos rebeldes nos arredores de Damasco - que segundo os EUA deixou mais de 1,4 mil mortos - mas sem responsabilizar nenhum dos lados do conflito.

Os EUA, o Reino Unido e a França afirmaram que o relatório da ONU prova que o regime sírio foi o autor do ataque , uma vez que, segundo esses países, somente as tropas do presidente Bashar al-Assad teriam condições e acessos necessários para fazê-lo.

Estudante usa máscara de gás durante aula sobre como responder a um ataque de armas químicas em Aleppo, Síria (18/9)
AP
Estudante usa máscara de gás durante aula sobre como responder a um ataque de armas químicas em Aleppo, Síria (18/9)

A Rússia discordou dos aliados do ocidente e, nesta quarta, uma autoridade do país - o maior aliado da Síria - afirmou que recebeu de Damasco novas "provas materiais" de que rebeldes opositores ao regime usaram as armas químicas.

O vice-ministro das Relações Exteriores do país, Sergei Ryabkov, afirmou também que o relatório dos inspetores da ONU foi "politizado, tendencioso e unilateral".

Também nesta quarta-feira, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Rússia e China — vão se reunir novamente em Nova York para discutir uma resolução sobre as armas químicas sírias. Eles discutem uma proposta de resolução sugerida pelo Reino Unido, França e EUA.

A resolução seria um passo importante no plano acertado pelos EUA e pela Rússia , segundo o qual a Síria revelaria seu arsenal em uma semana e teria um prazo até meados de 2014 para eliminá-lo. Porém já há desavenças importantes sobre os termos usados na resolução.

França, Reino Unido e EUA querem uma resolução que contenha a ameaça de uma ação militar caso a Síria não cumpra o acordo, mas a Rússia se opõe a isso . Rússia e China já bloquearam anteriormente três resoluções contra a Síria propostas por países ocidentais.

Enquanto isso, na província de Idlib, que faz fronteira com a Turquia, ativistas informaram sobre o assassinato de 11 civis pelo Exército, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

O órgão disse que na região nordeste, próximo à fronteira com a Turquia, militantes curdos capturaram a vila de Alok, antes sob poder de um grupo ligado à Al-Qaeda, após quatro dias de intensa confronto em mais um dos numerosos conflitos localizados.

Mais de 100 mil pessoas já morreram desde o início do levante contra o presidente Assad, em 2011. Milhões de sírios já fugiram do país, principalmente para países vizinhos. Outros milhões se deslocaram internamente na Síria para fugir do conflito.

Veja imagens do conflito sírio desde o início do ano:

Com AP e Reuters

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