Relatório da ONU confirma uso de gás sarin em ataque na Síria

Por Leda Balbino - em Nova York* | - Atualizada às

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Segundo secretário-geral da organização, armas químicas foram utilizadas na Síria em escala relativamente ampla

A missão de inspetores da ONU confirmou nesta segunda-feira (16) que o gás neurológico sarin foi usado em escala relativamente ampla em um ataque nos arredores de Damasco em 21 de agosto, informou nesta quarta-feira o secretário-geral da organização, Ban ki-moon, ao Conselho de Segurança em Nova York.

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A informação representa a primeira confirmação oficial de que armas não convencionais foram usadas na guerra civil de dois anos e meio da Síria. No entanto, o documento dos inspetores da ONU não especifica quem seria o responsável pela ação, já que a missão só estava encarregada de verificar se armas químicas foram usadas e quais agentes foram empregados.

Segundo os EUA, o gás sarin foi usado pelas forças de Bashar al-Assad, deixando mais de 1,4 mil mortos, incluindo centenas de crianças. Mas as agências de inteligência da França e do Reino Unido, bem como a organização Médicos Sem Fronteiras, apontam um número bem menor de mortos.

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Em seu pronunciamento ao Conselho de Segurança, o chefe da ONU disse que as conclusões dos inspetores têm como base evidências coletadas na área de Ghouta, em Damasco. Segundo Ban ki-moon, amostras ambientais e biomédicas demostram “a natureza ampla dos ataques”. Testes feitos com amostras de sangue retiradas de 34 de 36 pacientes com sinais de envenenamento comprovaram a exposição ao gás sarin.

De acordo com Ban Ki-moon, “85% das amostras de sangue deram positivo para o gás sarin”, com as vítimas tendo apresentados sintomas claros associados a esse agente, incluindo perda de consciência, falta de ar, visão embaçada, inflamação ocular, vômitos e convulsões.

Suas declarações foram feitas um dia depois de ter recebido o relatório do chefe da missão de inspetores na Síria, o especialista sueco Ake Sellström. Na sexta, aparentemente sem saber que sua fala era transmitida pela TV, o chefe da ONU adiantou que o relatório provaria o uso de armamento não convencional na Síria.

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De acordo com Ban ki-moon, a missão de especialistas da ONU entrevistou mais de 50 sobreviventes, funcionários médicos e prestadores de primeiros-socorros. Durante suas investigações, os inspetores coletaram 30 amostras de solo da região afetada, número que, segundo Ban, é bem maior do que qualquer investigação prévia da organização.

O relatório foi divulgado depois de os EUA e a Rússia terem alcançado no sábado, após dias de negociações em Genebra, um plano de acordo para pôr as armas químicas sírias sob controle internacional.

O documento determina que o regime Assad forneça um inventário de seu arsenal químico até o fim desta semana e entregue todos os componentes de seu programa até meados do próximo ano. O objetivo final é destruir as armas químicas da Síria.

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O plano de acordo suspendeu indefinidamente o que, até o mês passado, parecia ser a possibilidade de um ataque iminente dos EUA contra a Síria em retaliação ao ataque químico.

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A Síria, que nega a acusação e responsabiliza os rebeldes antigoverno pelo ataque, contou com sua aliada Rússia para evitar ser alvo de uma operação militar externa. No domingo, o ministro sírio de reconciliação nacional, Ali Haidar, comemorou o plano de acordo como uma “vitória” síria alcançada “graças a nossos amigos russos”.

Os EUA, porém, mantêm a advertência de que a opção militar continua sobre a mesa se a diplomacia fracassar com o descumprimento do plano pela Síria. “A ameaça de força é real, e o regime de Assad e todos aqueles que participam desse processo precisam entender que o presidente (Barack) Obama e os EUA estão comprometidos em alcançar esse objetivo”, alertou o secretário de Estado americano, John Kerry, no domingo em Jerusalém.

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

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