Painel da ONU investiga 14 suspeitas de uso de armas químicas na Síria

Por iG São Paulo |

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Comissão liderada por Paulo Sérgio Pinheiro ainda revela que presença de militantes estrangeiros acirraram conflito

O painel de investigação da ONU sobre a Síria examina 14 suspeitas de ataques com armas químicas ou agentes químicos na Síria desde que começou a monitorar abusos contra os direitos humanos na Síria em setembro de 2011, disse o chefe da comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (16).

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Reuters
O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que lidera o painel de Inquérito das Nações Unidas

Pinheiro também disse que a Síria convidou a integrante da comissão Carla del Ponte a visitar a Síria em caráter pessoal, mas a comissão deseja uma visita oficial que o inclua. Del Ponte assumiu ter sido convidada por afirmar em maio possuir denúncias de que os grupos de oposição haviam usado armas químicas.

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O grupo também constatou a presença de "militantes islâmicos estrangeiros, radicais ou jihadistas" na Síria, o que teria contribuído para a radicalização dos conflitos no país. De acordo com relatório, apesar de poucos estrangeiros no país, essa presença é perigosa devido à fragilidade da situação.

"Os atores [estrangeiros] estavam lutando contra as forças do governo, mas não foram necessariamente fazê-lo com a mesma agenda do Exército Sírio Livre", disse Pinheiro,

O relatório também concluí que houve aumento das violações aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário nos últimos meses, além da necessidade de se buscar uma solução política para a crise síria.

"Não há uma solução militar para a crise", informou Pinheiro, que defende a atuação do assessor especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a Síria, Lakhdar Brahimi. Para ele, Brahimi contribuiria para a criação de um ambiente propício para conversas e negociações e para o cumprimento da recomendação do grupo de trabalho – que é acabar com a violência.

Segundo Pinheiro, foram registrados nos últimos meses casos de assassinatos, prisões arbitrárias, violência sexual e tortura, cometidas por ambas as partes envolvidas no conflito – governo da Síria e o Exército Livre Sírio. "Nós não estamos vendo que a escala de gravidade é a mesma", explicou o chefe da comissão, ao ressaltar que foi verificada a prevalência de violações por parte do governo.

Neste domingo (15), foram registrados novos conflitos no país, após o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para eliminação do arsenal de armas químicas na Síria, elogiado pela ONU e por líderes europeus.

Para a ONU, o cerne da crise na Síria é a situação dos 1,2 milhão de refugiados internos e a das 2,5 milhões de pessoas que necessitam de ajuda humanitária. O país vive momento de escassez de combustível, água e eletricidade.

* Com Reuters e Agência Brasil

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