Ministro foi primeiro membro do regime de Assad a falar sobre plano para a entrega de armas químicas

Uma autoridade de alto escalão da Síria elogiou neste domingo (15) o acordo firmado entre EUA e Rússia para colocar as armas químicas sírias sob o controle internacional, caracterizando-o como uma "vitória" para Damasco. Os comentários do ministro da Reconciliação Nacional Ali Haidar para uma agência estatal russa de notícias foram os primeiros de uma autoridade do governo sírio sobre o plano acordado no sábado em Genebra.

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Segundo o acordo, a Síria fornecerá um inventário de seu estoque de armas químicas dentro de uma semana e entregar todos os componentes do programa até 2014.

"Elogiamos esses acordos", disse Haidar, segundo informou agência RIA Novosti. "Por um lado, eles ajudarão os sírios a sair da crise, e por outro, evitam uma guerra contra a Síria retirando o pretexto para aqueles que querem desencadear ( um conflito )."

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Não houve nenhum comunicado oficial do governo sírio, e não ficou claro se os comentários de Haidar refletem a opinião do presidente Bashar al-Assad .

O acordo, estipulado após uma maratona de negociações entre diplomatas russos e americanos, evita os ataques dos EUA contra o regime Assad, embora o governo Obama tenha alertado que o uso da força continua possível caso Damasco não cumpra com os pontos estabelecidos.

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"A ameaça da força é real e o regime Assad e todos aqueles que fazem parte precisam entender que o presidente Obama e os EUA estão comprometidos a atingir esse objetivo", disse o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, neste domingo em Jerusalém, onde ele passou informações a autoridades israelenses sobre o acordo.

Ele também disse que se o acordo fosse bem-sucedido, "definirá um padrão de comportamento em relação ao Irã e a Coreia do Norte e qualquer outro Estado pária, ( ou ) grupo que tentar alcançar esse tipo de armas".

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Os EUA acusam o governo Assad de estar por trás de um ataque químico contra subúrbios rebeldes de Damasco em 21 de agosto que, segundo Washington, matou mais de 1,4 mil sírios . Outras estimativas em relação ao número de mortos são bem menores. O governo sírio nega as acusações e culpa os rebeldes.

A suspeita do uso de armas químicas levantou a possibilidade de uma ação militar liderada pelos EUA contra a Síria. Os rebeldes esperavam que tal ação mudaria o equilíbrio da guerra civil em seu favor. Mas no momento em que os ataques pareciam iminentes, Obama abruptamente decidiu buscar apoio do Congresso para uma autorização, adiando a retaliação militar.

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A Rússia então propôs que a Síria entregasse seu arsenal químico para evitar ataques do Ocidente, e o regime Assad rapidamente concordou . Moscou e Washington então estabeleceram um acordo no sábado para colocar as armas químicas sob controle e destruí-las posteriormente.

Para a oposição na Síria, o acordo foi uma decepção, pois esperavam que uma ação militar pudesse conter a guerra civil que, nesses mais de dois anos, deixou 100 mil mortos e obrigou 2 milhões a buscar refúgio fora do país.

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O acordo entre EUA e Rússia ganhou apoio ao redor do mundo, incluindo da China, um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. A França também elogiou o acordo, mas o chanceler do país Laurent Fabius fez um alerta durante sua visita neste domingo a Pequim de que ele era apenas "a primeira fase".

No Cairo, a Liga Árabe também aprovou o acordo. O secretário-geral Nabil Elaraby disse que o plano ajuda um movimento em direção a uma solução política para a crise. "Todas as partes são capazes e influentes o suficiente para fazer sua parte no Conselho de Segurança da ONU para garantir um cessar-fogo na Síria... e para realizar negociações em Genebra para alcançar uma solução pacífica para a crise síria", disse em comunicado.

A Alemanha ofereceu ajuda neste domingo para destruir as armas químicas sírias. O chanceler Guido Westerwelle disse em comunicado que Berlim "está preparada para dar uma contribuição técnica ou financeira para a desrtuição das armas químicas da Síria". Ele não deu detalhes, mas autoridades dizem que a Alemanha já ajudou a destruir as armas químicas na Líbia e em outros países.

Com AP

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