Relatório confirmará uso de armas químicas na Síria, diz chefe da ONU

Por Leda Balbino - de Nova York* |

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Secretário-geral aparentemente faz declaração sem saber que era transmitida por TV e deixa porta-voz sob pressão

Aparentemente sem saber que sua fala era transmitida pela TV, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou nesta sexta-feira (13) que o relatório de inspetores da organização confirmará o uso de armas químicas na Síria em 21 de agosto.

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“Acredito que o relatório será uma inegável confirmação de que armas químicas foram usadas, embora eu não possa dizer isso publicamente antes de receber o relatório”, disse durante o Fórum Internacional das Mulheres na sede da ONU, que era transmitido em um vídeo interno da organização.

Segundo Ban, o regime de Bashar al-Assad “cometeu muitos crimes contra a humanidade. Portanto, tenho certeza de que haverá um processo de prestação de contas quando tudo terminar”.

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As declarações colocaram Farhan Haq, um dos porta-vozes do secretário-geral, sob pressão durante a coletiva diária do meio-dia. Ao ser repetidamente questionado sobre as declarações de Ban, Haq afirmou por várias vezes que o relatório ainda não havia sido divulgado e, portanto, as declarações não se referiam ao documento diretamente.

“Suas declarações se referem mais a uma visão pessoal”, disse. Segundo o porta-voz, depois de receber o relatório, Ban o apresentará aos Estados-membros da ONU.

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À Associated Press, o inspetor-chefe de armas químicas da ONU, Ake Sellstrom, afirmou por telefone na Holanda que o relatório está completo e será entregue ao secretário-geral durante o fim de semana em Nova York. “Está pronto, mas a decisão de apresentá-lo publicamente cabe ao secretário-geral”, disse à agência de notícias americana.

O governo sírio e os rebeldes que tentam depor Assad culpam um ao outro pelo ataque nos arredores de Damasco. De acordo com os EUA, a ação militar foi lançada pelas forças de Assad e deixou 1.429 mortos, incluindo centenas de crianças. Mas as agências de inteligência da França e do Reino Unido, bem como a organização Médicos Sem Fronteiras, apontam centenas de mortos.

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Os especialistas da ONU que inspecionaram os locais supostamente atacados têm o mandato para determinar se armas químicas foram usadas e qual o agente empregado, mas não quem foi o responsável pelo ataque.

Até a semana passada, o governo de Barack Obama indicava a intenção de lançar um ataque militar contra a Síria com a aprovação do Congresso. Os EUA suspenderam temporariamente a iniciativa depois de a Rússia propor um acordo sob o qual a Síria pusesse seu arsenal químico sob os cuidados da comunidade internacional.

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O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro de Relações da Rússia, Serguei Lavrov, mantiveram negociações nesta semana para avaliar os pontos de um eventual acordo.

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

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