Negociações de paz na Síria dependem de acordo sobre armas químicas, diz Kerry

Por iG São Paulo |

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Em 2º dia de diálogo, líderes russo e americano falaram sobre uma nova conferência pela paz síria em Genebra

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, afirmaram nesta sexta-feira (13) que as perspectivas para dar início ao processo de paz na Síria evoluem a partir do diálogo sobre a entrega do estoque de armas químicas ao controle internacional.

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AP
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Enquanto especialistas russos e americanos em armas químicas ficaram concentrados em um hotel de Genebra discutindo sobre os detalhes técnicos que serão importantes para chegar a um acordo sobre a proposta, Kerry e Lavrov se encontraram a poucos metros de distância na sede europeia da ONU com o enviado da Liga Árabe Lakhdar Brahimi para discutir sobre a evolução política e a organização de uma nova conferência internacional em Genebra para apoiar a criação de um governo sírio de transição.

Brahimi reconheceu que muita coisa está em jogo neste segundo dia de encontro quando falou a Kerry e Lavrov que a negociação em relação as armas químicas "é extremamente importante por si só, mas também extremamente importante para nós, que trabalhamos com vocês na tentativa de realizar com sucesso a conferência de Genebra".

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Kerry afirmou após uma reunião de uma hora que para que uma segunda conferência de paz em Genebra ocorra, primeiro serão necessários diálogos bem sucedidos em relação às armas químicas, que até o momento foram "construtivos". "Em nome dos EUA eu direi que o presidente Obama está profundamente comprometido para uma solução negociada em relação à Síria, e sabemos que a Rússia também está. Estamos trabalhando duro para encontrar um terreno comum capaz de fazer com que isso aconteça. Discutimos um pouco sobre a lição de casa que nós dois precisamos fazer", disse.

O secretário americano afirmou que os dois concordaram em fazer uma nova reunião por volta do dia 28 de setembro, paralela à Assembleia Geral da ONU em Nova York. Mas, segundo ele, o futuro das negociações de paz dependem do resultado do diálogo sobre armas químicas. "E estamos comprometidos a tentar trabalhar juntos, começando com essa iniciativa sobre as armas químicas, com a esperança que esses esforços valham a pena e tragam paz e estabilidade a uma parte do mundo devastada pela guerra."

Reuters
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Brahimi também teve uma reunião privada com Kerry no hotal de Genebra na quinta-feira para explorar maneiras para dar início a negociações internacionais, ocorridas pela última vez em junho de 2012, com a perspectiva de colocar fim à guerra civil síria.

Lavrov afirmou que a Rússia apoiou o processo de paz desde o começo do conflito sírio, mas que "é muito lamentável que por um longo período o comunicado de Genebra tenha sido basicamente abandonado". O chanceler russo disse que ele, Kerry e Brahimi discutiram formas de preparar uma segunda conferência, o que "significaria que as partes da Síria devem atingir um consenso mútuo sobre um governo de transição, que teria plena autoridade executiva".

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No início do diálogo na quinta-feira, Kerry rejeitou a promessa síria de dar início a um "processo padrão" entregando informações em vez de armas. O diplomata americano afirmou que isso não era aceitável. "As palavras do regime sírio não são suficientes", disse Kerry ao lado de Lavrov. "Isso não é um jogo."

O diálogo entre Kerry e Lavrov foi o mais recente acontecimento de uma série de eventos que se seguiram após o suposto ataque químico de 21 de agosto nos subúrbios de Damasco. Os EUA culpam o presidente da Síria, Bashar al-Assad, de usar armamentos químicos, embora Assad negue que seu governo estivesse envolvido e tenha culpado os rebeldes que há mais de dois anos lutam para derrubar o governo.

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O presidente Barack Obama começou a tentar ganhar apoio doméstico e internacional para um ataque militar contra as forças de Assad, mas então ele mudou o curso dos acontecimentos ao buscar autorização do Congresso para uma intervenção limitada. Enquanto lutava para reunir apoio no Congresso - que não parecia propenso a aprovar o ataque - Obama disse na terça-feira que consideraria uma proposta russa que previa o controle internacional do estoque químico de Assad e sua eventual destruição.

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Obama enviou Kerry para Genebra para avaliar os detalhes da proposta, mesmo mantendo viva a possibilidade de uma ação militar dos EUA. Assad prometeu fornecer detalhes sobre o arsenal químico de seu país 30 dias depois de assinar uma convenção internacional que proíbe a proliferação desse tipo de armamento. O embaixador sírio para a ONU disse que na quinta-feira seu país se tornou um membro pleno do tratado, que exige a destruição de todas as armas químicas. O chanceler russo afirmou ontem que um acordo tornaria um ataque americano desnecessário.

Com AP

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