Em artigo no New York Times, Putin afirma que eventual ação militar desencadearia nova onda de terrorismo

O presidente russo, Vladimir Putin, fez um alerta ao povo americano nesta quinta-feira (12) contra uma ação militar dos EUA na Síria, dizendo que um ataque deste tipo poderia "desencadear uma nova onda de terrorismo" no mundo.

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Em artigo no jornal americano The New York Times, Putin disse que milhões de pessoas no mundo veem os EUA não como um modelo de democracia, mas como um país que se ampara apenas na sua força bruta.

"Acontecimentos recentes me fizeram querer falar diretamente ao povo americano e a seus líderes políticos", disse Putin.

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"Um ataque ( à Síria ) aumentaria a violência e desencadearia uma nova onda de terrorismo que poderia prejudicar os esforços multilaterais para resolver o problema nuclear iraniano e o conflito em Israel e Palestina, desestabilizando ainda mais o Oriente Médio e o Norte da África. Poderia desequilibrar todo o sistema internacional", disse o presidente russo no artigo assinado.

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'Excepcionalismo americano'

O presidente russo também criticou a ideia do excepcionalismo americano. "É extremamente perigoso incentivar as pessoas a se verem como excepcionais, independente da motivação", escreveu.

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"Existem países grandes e países pequenos, ricos e pobres, aqueles com longa tradição democrática e outros que ainda procuram seu caminho para a democracia. Suas políticas diferem também. (...) Somos todos diferentes, mas quando pedimos a benção de Deus, não devemos nos esquecer que Deus nos criou todos iguais."

Putin fez menção ao discurso do presidente Obama proferido na noite de terça-feira, no qual ele afirmou que os ideais e princípios americanos "estão em jogo na Síria" e defendeu a sua posição contra o regime de Assad. "É isso que faz os EUA diferentes", disse Obama.

"É isso que nos torna excepcionais. Com humildade, mas com determinação, que nunca percamos de vista essa verdade essencial."

Esforço multilateral

O líder russo também afirmou que a ONU pode sofrer o mesmo destino da entidade que a antecedeu – a Liga das Nações – caso "países influentes atropelem as Nações Unidas e tomem ações militares sem autorização do Conselho de Segurança".

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A Liga das Nações foi criada após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) com finalidade parecida com a da ONU, mas foi extinta em 1946 por ter fracassado no esforço multilateral de evitar conflitos. Em seu lugar, foi criada a ONU.

"O potencial ataque dos EUA contra a Síria, apesar de forte oposição de muitos países e grandes lideranças políticas e religiosas, incluindo o papa , vai resultar em mais vítimas inocentes, potencialmente espalhando o conflito muito além das fronteiras da Síria", escreveu Putin.

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Ele afirmou que a Rússia não está zelando pelo governo sírio, mas sim pela lei internacional. Putin voltou a dizer que o ataque com armas químicas do dia 21 de agosto – citados como pretexto pelos americanos para agir na Síria – foram na verdade realizados por forças da oposição ao regime de Bashar al-Assad para "provocar intervenção por entidades estrangeiras poderosas".

"Relatos de que militantes estão preparando outro ataque – desta vez contra Israel – não podem ser ignorados", escreveu o presidente russo. "É alarmante que intervenções militares em conflitos internos de países estrangeiros virou algo comum para os EUA. Isso está no interesse de longo prazo dos EUA? Eu duvido."

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O secretário americano de Estado, John Kerry, deve encontrar-se nesta quinta-feira em Genebra com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, para discutir uma proposta russa para resolver a crise.

O governo de Putin propõe que o arsenal químico da Síria seja colocado sob controle de forças internacionais. A proposta foi aceita pelo regime sírio, e fez com que os Estados Unidos interrompessem, por ora, o plano de ação militar na Síria, para intensificar o trabalho diplomático.

Com BBC e AP

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