Medida é parte de proposta russa para evitar intervenção militar dos EUA contra regime de Bashar al-Assad

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta quinta-feira (12) que recebeu uma carta da Síria demonstrando sua intenção de aderir à convenção internacional contra as armas químicas, algo que o governo de Bashar al-Assad garantiu como parte de um acordo para evitar um ataque dos EUA.

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Pessoas colocam corpos de vítimas de suposto ataque químico em vala em Hamoria, área nos subúrbios a leste de Damasco
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A carta de "adesão" está sendo traduzida, segundo afirmou Farhan Haq, um porta-voz da ONU. "Isso dá início a um processo para (o país) se tornar parte do tratado."

O documento foi enviado à sede da ONU dois dias depois que a Síria anunciou que estava preparada para assinar o tratado internacional , o que há muito tempo rejeitava. A Convenção das Armas Químicas requer que todas as partes do tratado declarem e destruam quaisquer armas químicas que possuirem.

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Pouco antes, o presidente sírio afirmou em entrevista que começaria a conceder os dados sobre seu estoque de armas químicas um mês depois de assinar a convenção. Ele também disse que a decisão de seu governo de ceder o controle do arsenal à comunidade internacional foi resultado de uma proposta russa, e não da ameaça de intervenção militar dos EUA .

Ele acrescentou que o processo é "bilateral" e sugeriu que apenas funcionaria se os EUA suspenderem suas ameaças de agir militarmente contra a Síria. Os comentários de Assad foram feitos no mesmo dia em que a discussão por uma saída diplomática entrou em um novo capítulo nesta quinta-feira, com o encontro do secretário de Estado dos EUA , John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Genebra na Suíça.

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Os dois, que estão acompanhados de especialistas, discutirão a viabilidade da proposta russa para a entrega das armas químicas da Síria ao controle internacional. Uma autoridade americana disse que a tarefa da entrega de armas é "factível, mas difícil e complicada".

Os EUA acusam o regime sírio de ter perpetrado um ataque químico contra redutos rebeldes próximos a Damasco que, segundo o governo americano, deixaram mais de 1,4 mil mortos . A Síria nega, e afirma que os rebeldes, e não suas tropas, foram responsáveis pelo ataque.

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Enquanto os EUA buscavam apoio no Congresso para lançar um ataque punitivo contra o regime de Assad, a Rússia propôs que a Síria entregasse as armas químicas para evitar a intervenção militar americana. Horas depois, a Síria concordou com a ideia, e agora Moscou e Washington discutem a viabilidade de manter o arsenal químico sírio em segurança. A proposta foi feita pela Rússia logo depois de Kerry ter afirmado que a Síria poderia evitar a retaliação militar caso entregasse suas armas para posterior destruição.

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Nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que ele está esperançoso que os encontros entre Kerry e Lavrov possam "produzir um resultado concreto" para a Síria. Obama falou sobre a Síria no início de um encontro de gabinete na Casa Branca.

Os EUA esperam que um acordo aceitável com a Rússia possa ser parte de uma nova resolução no Conselho de Segurança, que coloca o regime da Síria como responsável pelo uso de armas químicas. A Rússia, entretanto, se opôs em diversas ocasiões no passado a punir a Síria, vetando resoluções menos severas, e não tem indicado que espera concordar com esta nova proposta.

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Em um artigo publicado nesta quinta-feira no New York Times , o presidente da Rússia, Vladimir Putin, escreveu: "Os EUA, a Rússia e todos os membros da comunidade internacional precisam aproveitar a vontade do governo sírio de colocar suas armas químicas sob controle internacional para subsequente destruição."

Putin fez um apelo aos americanos para que os EUA não lancem um ataque militar, dizendo: "É alarmante que a intervenção militar em conflitos internos em países estrangeiros tenha se tornado um lugar comum para os EUA."

O primeiro-ministro da Turquia,Tayyip Erdogan, disse nesta quinta ter dúvidas se o presidente sírio irá cumprir a promessa de colocar o arsenal químico da Síria sob controle internacional, e disse que Assad está ganhando tempo para realizar "novos massacres".

"O regime Assad não cumpriu nenhuma de suas promessas, tem ganhado tempo para novos massacres e continua fazendo isso", disse Erdogan em discurso em Istambul. "Temos dúvidas de que as promessas sobre armas químicas serão cumpridas."

Com AP e Reuters

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