EUA avaliarão viabilidade de entrega de armas sírias em diálogo com Rússia

Por iG São Paulo |

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Com especialistas, John Kerry, chegou a Genebra para dois dias de reuniões com chanceler russo, Sergei Lavrov

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, chegou em Genebra na manhã desta quinta-feira (12) para testar verificar a viablidade de uma proposta russa para colocar as armas químicas da Síria sob o controle internacional - evitando um possível ataque militar americano.

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AP
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Kerry e uma equipe de especialistas dos EUA terão ao menos dois dias de reuniões com parceiros russos nesta quinta e na sexta-feira. Eles esperam chegar a uma definição sobre como inventariar cerca de mil toneladas de armas químicas, colocá-las sob controle internacional em meio a uma guerra civil, para depois destruí-las.

Autoridades que acompanham Kerry disseram que buscariam um rápido acordo em relação aos princípios para o processo com os russos, incluindo a exigência de uma rápida prestação de contas da Síria sobre seus estoques. Uma autoridade americana disse que a tarefa da entrega de armas é "factível, mas difícil e complicada".

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A autoridade disse que os EUA estão buscando sinais da seriedade russa em relação ao plano e pensam que não demorará muito para descobrir se os russos estiverem tentando apenas protelar uma possível ação militar dos EUA contra a Síria, sua grande aliada.

Outra autoridade caracterizou as ideias que os russos apresentaram até agora como uma "posição de abertura" que necessita de muito trabalho e presença de especialistas técnicos. A equipe americana inclui autoridades que trabalharam na inspeção e remoção de armas não convencionais da Líbia após 2003 e do Iraque após a Guerra do Golfo.

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Em um artigo publicado nesta quinta-feira no New York Times, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, escreveu: "Os EUA, a Rússia e todos os membros da comunidade internacional precisam aproveitar a vontade do governo sírio de colocar suas armas químicas sob controle internacional para subsequente destruição."

Putin fez um apelo aos americanos para que os EUA não lancem um ataque militar, dizendo: "É alarmante que a intervenção militar em conflitos internos em países estrangeiros tenha se tornado um lugar comum para os EUA."

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Kerry planeja se encontrar na quinta-feira com Lakhdar Brahimi, o enviado da Liga Árabe para a Síria, antes da reunião com o chanceler russo Sergei Lavrov. O encontro organizado às pressas em Genebra ocorre enquanto a Casa Branca vai para o tudo ou nada em relação a uma saída diplomática proposta pela Rússia.

Os rebeldes sírios, entretanto, estão desapontados com a decisão do presidente Barack Obama de colocar em espera um possível ataque militar em favor da tentativa de obter acesso ao arsenal do presidente Bashar al-Assad.

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O secretário de Estado está acompanhado de especialistas americanos em armas químicas para avaliar e incrementar as ideias russas para a complexa tarefa para lidar com os arsenais em meio a um conflito brutal e sem precedentes. Especialistas russos também vão aos encontros com Lavrov.

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Os EUA esperam que um acordo aceitável com a Rússia possa ser parte de uma nova resolução no Conselho de Segurança, que coloca o regime da Síria como responsável pelo uso de armas químicas. A Rússia, entretanto, se opôs em diversas ocasiões no passado a punir a Síria, vetando resoluções menos severas, e não tem indicado que espera concordar com esta nova proposta.

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Ao mesmo tempo, a CIA está há semanas entregando metralhadoras e outras armas mais leves aos rebeldes sírios, depois da decisão de Obama de armar os rebeldes, segundo informou nesta quinta-feira os jornais The Washington Post e o The Wall Street Journal. O comandante rebelde Salim Idris disse à rádio Pública Nacional na quinta que os rebeldes receberam a ajuda letal. A CIA se recusou a fazer comentários.

Com AP

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